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Primeira-ministra britânica sofre derrota em votação

A premiê do Reino Unido, Theresa May, deseja controlar a imigração e negociar com o resto dos países de forma independente, mas enfrenta resistências ( Foto: AFP )
00:00 · 19.04.2018

Londres. A Câmara dos Lordes infligiu, ontem, uma constrangedora derrota à primeira-ministra britânica, Theresa May, ao aprovar uma emenda que questiona sua vontade de deixar a união aduaneira, durante a avaliação do projeto de lei sobre o Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia).

A emenda, apoiada por membros da maioria, da oposição trabalhista e do centro, foi aprovada pela Câmara Alta do Parlamento com 345 votos a favor e 225 contra. Na prática, ela inscreve no projeto de lei a possibilidade de o Reino Unido continuar na união aduaneira, enquanto o governo conservador de May se comprometeu a deixar o mercado único e a união para poder controlar a imigração e negociar com o resto dos países de forma independente. Mas um divórcio nessas condições preocupa por suas eventuais consequências na economia e na paz na Irlanda do Norte, caso se restabeleça uma fronteira com a vizinha República da Irlanda.

"É um momento extremamente importante. A Câmara dos Lordes se uniu para mostrar ao governo que a manutenção da união aduaneira é a chave da prosperidade futura do Reino Unido", declarou o líder do Partido Liberal Democrata (centro, pró-UE), Richard Newby. O conservador Michael Forsyth alertou que a tentativa de remodelar o texto poderia "voltar a opinião pública contra".

Decepção

"Estamos decepcionados", reagiu o Ministério do Brexit em nota, destacando que a opinião do governo continua sendo "muito clara": "deixamos a união aduaneira e estabelecemos um novo e ambicioso acordo aduaneiro com a UE, forjando novas relações com nossos sócios de todo o mundo". Além disso, os lordes, pró-UE em sua maioria, devem contestar que o governo possa recorrer aos "Poderes de Henrique VIII", uma disposição que permite modificar uma lei sem o pleno controle do Parlamento, e também se poderia estudar a possibilidade de modificar a hora do Brexit (fixada em 29 de março de 2019, às 20h em Brasília). O texto depois voltará aos deputados.

Neste ano, o Reino Unido deve crescer só 1,6%, previu o FMI. Este crescimento modesto na economia britânica reflete "um aumento inesperado das barreiras comerciais e uma queda no investimento estrangeiro direto como resultado do Brexit".

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