Na Venezuela

Pesquisas dão vitória a oposicionista de Maduro

Principal rival de Maduro, nas eleições presidenciais na Venezuela, Henri Falcón se candidatou contrariando um boicote da aliança oposicionista MUD ( Foto: AFP )
00:00 · 18.05.2018

Caracas. Duas pesquisas de opinião mostraram, ontem, o oposicionista Henri Falcón à frente de Nicolás Maduro. A eleição presidencial venezuelana será neste domingo (20).

De acordo com o instituto Datanálisis, o dissidente chavista tem 30% dos votos, contra 20% para o atual mandatário.

Em terceiro, aparece o pastor evangélico Javier Bertucci (14%), um outsider na política que tem feito um discurso de oposição ao governo. Entre os que declararam dispostos ou muito dispostos a votar, Falcón vence Maduro por 37% a 28%.

Para se candidatar, Falcón rompeu com a Mesada da Unidade Democrática (MUD), coalizão dos principais partidos oposicionistas, que tem pregado a abstenção, com o argumento de que o governo fraudará o resultado.

A decisão da MUD de não participar da eleição foi rechaçada por 67,7% dos entrevistados. Esse percentual sobe para 70,5% ente os que se identificaram como oposicionistas a Maduro.

Sobre a gestão de Maduro, 67% concordaram com a afirmação de que ele não tem plano nem equipe para governar o país. O país vive intensa crise econômica, que tem levado centenas de milhares de venezuelanos a emigrar.

A pesquisa foi realizada entre os dias 8 e 15 de maio e tem uma margem de erro de 3,44 pontos percentuais. No levantamento de Varianzas, a vantagem de Falcón é mais ampla: 45,5%, contra 24,9% para Maduro.

Questionados se querem que Maduro seja reeleito por mais seis anos de mandato, 76,2% responderam que não.

Consulados

A presidente do poder eleitoral da Venezuela, Tibisay Lucena, denunciou ontem "ataques ferozes" contra as presidenciais de domingo por parte de governos como o do Canadá, que, segundo Caracas, decidiu bloquear a votação nesse país.

"À medida que o dia (das eleições) se aproxima, esses ataques ferozes não têm feito outra coisa a não ser piorar", disse a titular do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) junto com convidados internacionais. Lucena sustentou que essas agressões começaram desde que a governista Assembleia Constituinte convocou as eleições de forma antecipada, que tradicionalmente são realizadas em dezembro e nas quais Maduro busca a reeleição.

"A partir do momento em que foi convocada a eleição, começaram os ataques de diferentes governos que querem a sua suspensão, ou o mundo inteiro não a reconhecerá sob falsos argumentos", expressou.

A funcionária deu como exemplo a decisão do Canadá de não permitir as votações nos consulados da Venezuela no país.

Na quarta-feira, o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, informou que o Canadá bloqueará a instalação de mesas de votação nas sedes diplomáticas venezuelanas. "Nos enviaram hoje uma nota diplomática (...) na qual dizem que não autorizarão que o governo da Venezuela instale as seções eleitorais em nossa embaixada e em nossos consulados", declarou Arreaza à imprensa.

Cerca de 20,5 milhões de venezuelanos estão convocados às urnas, dos quais 108 mil residem no exterior, 5.027 deles inscritos nas cidades canadenses de Ottawa, Vancouver, Toronto e Montreal. Contudo, a cifra de emigrantes venezuelanos é contada em centenas de milhares devido à crise econômica, segundo especialistas. O Canadá faz parte do Grupo de Lima, um bloco de 14 países apoiado pelos EUA que pede a suspensão das eleições por considerar que não oferecem garantias à oposição, que decidiu boicotá-las.

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