No Peru

Pedro Pablo Kuczynski renuncia à Presidência

Caso Odebrecht e a divulgação de vídeos sobre suborno derrubam o líder do país andino

PPK era acusado por seus opositores de manter vínculos com multinacionais e de agir como lobista desde a época em que era ministro ( Foto: Agência France Presse )
00:00 · 22.03.2018

Lima/Caracas. Envolvido no escândalo de corrupção da empreiteira brasileira Odebrecht, que atingiu também o país andino, o presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, apresentou sua renúncia, ontem, às vésperas da votação do seu processo de impeachment no Congresso.

PPK (como é chamado) é acusado de receber ilegalmente dinheiro da Odebrecht, na época em que era ministro da gestão de Alejandro Toledo (2001-2006).

Em dezembro de 2017, ele conseguiu escapar de um pedido de afastamento do cargo, mas mergulhou o país numa polêmica sobre a suposta compra de votos por parte do Executivo.

Em pronunciamento em vídeo, PPK atribuiu a decisão aos "seguidos obstáculos" colocados pela oposição, que criaram "um clima de ingovernabilidade para sua gestão".

"A oposição tentou pintar-me como uma pessoa corrupta, o que nunca fui", afirmou. Ele voltou a refutar as acusações que o vinculam aos pagamentos ilícitos que a empreiteira Odebrecht realizou no país. Com a renúncia, o primeiro vice-presidente do Peru, Martín Vizcarra, atual embaixador do seu país no Canadá, vai assumir a Presidência.

O Peru passará por uma transição constitucional para assumir a chefia do Estado e nomear um novo governo que complete o período de gestão até 2021.

Enquanto a renúncia de Kuczynski não for aceita pelo Congresso, PPK segue no poder, à espera que o Legislativo oficialize a mudança governamental.

PPK fez menção aos "kenjivideos" -que circularam na terça e que mostravam o congressista Kenji Fujimori, filho do ex-presidente Alberto Fujimori e seu aliado, supostamente oferecendo cargos e vantagens a parlamentares para que votassem contra o afastamento do presidente.

PPK disse que essas imagens eram "editadas", e que causavam a "falsa impressão de que se estava oferecendo favores em troca de benefícios políticos".

As gravações estão sendo comparadas aos famosos "vladivideos", do ex-homem forte do então presidente Alberto Fujimori (1990-2000), e que mostravam Vladimiro Montesinos oferecendo subornos.

Odebrecht

PPK, o "gringo" que chegou à Presidência peruana há 20 meses, anunciando que lideraria um "governo de luxo". Filho de um médico alemão que fugiu do nazismo, ele chegou ao poder com dois lastros: pouco apoio político em um Congresso que atua como contra-poder e sua condição de empresário.

Seus opositores o acusavam de manter vínculos com multinacionais e de agir como lobista. Foram os vínculos com a empresa brasileira Odebrecht, que distribuiu milhões de dólares a políticos latino-americanos em troca de obras públicas, que acabaram abruptamente com sua Presidência. Ele tinha uma carreira bem-sucedida a serviço do país desde 1968, quando foi nomeado gerente do Banco Central de Reserva, antes de ser ministro, investidor de Wall Street e economista do Banco Mundial.

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