Nos Estados Unidos

Pedido fim de inquérito sobre ingerência russa

Um dia após chefe de campanha eleitoral ter sido acusado por fraude, Trump dispara contra investigação de conluio

00:00 · 02.08.2018
Jeff Sessions
Jeff Sessions, procurador-geral e secretário de justiça, conduz o caso do suposto elo entre a campanha republicana de 2016 e a Rússia ( Foto: Agência France Presse )

Washington. O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu, ontem, ao procurador-geral, Jeff Sessions, que ponha fim à investigação em andamento sobre a suspeita de ingerência da Rússia na eleição presidencial de 2016. "É uma situação terrível, e o procurador-geral Jeff Sessions deveria interromper essa caça às bruxas agora mesmo, antes que manche ainda mais nosso país", tuitou Trump, referindo-se à investigação conduzida pelo procurador especial Robert Mueller. Preocupada com o impacto da declaração, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, apressou-se em dizer que o presidente não emitiu uma "ordem" sobre o fim da investigação, mas apenas expressou sua "opinião".

Na visão de Sanders, a mensagem postada por Trump no Twitter não deve ser vista como uma tentativa de interferir em um processo judicial. "O presidente não está obstruindo (a justiça). Está reagindo. O presidente expressou sua opinião, expressou isso claramente e expressa sua frustração com a corrupção que impera", insistiu a porta-voz.

Este tuíte do presidente foi o ataque mais brutal contra a investigação que busca determinar o alcance da ingerência russa na eleição de 2016 e - o aspecto mais difícil para a Casa Branca - se houve algum tipo de conluio entre funcionários russos e o comitê de campanha de Trump. Em uma sequência de mensagens, Trump atacou Sessions, Mueller, os agentes que participam da investigação, assim como o processo judicial contra o advogado Paul Manafort. Em 2016, ele dirigiu a campanha eleitoral republicana por um breve período e agora é acusado de fraude fiscal e bancária.

"O conluio da Rússia com a campanha de Trump, uma das mais bem-sucedidas da história, é uma FARSA TOTAL", tuitou o presidente. Trump alega ainda que a equipe de investigação está repleta de agentes do FBI "furiosos" com a derrota da então candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton.

Hoje, o presidente reafirmou que Mueller tem "um enorme conflito e os 17 furiosos democratas que estão fazendo seu trabalho sujo são uma vergonha para os Estados Unidos".

Putin

A suspeita de ingerência russa na eleição resvalou na agenda da cúpula Trump-Putin há três semanas. Putin -disse Trump- garantiu "que não é a Rússia. Direi o seguinte: Não vejo razão alguma para que tenha sido".

Mais tarde, Trump recuou e afirmou que o que ele quis, de fato, dizer é que não havia razão para que NÃO fosse a Rússia a responsável pela ingerência.

As declarações de Trump surgem um dia depois de Manafort, um dos chefes de campanha do republicano em 2016, ter sido acusado formalmente nos tribunais por fraude bancária e fiscal.

Manafort tem sido acusado de omitir uma renda milionária, fruto de seu trabalho como representante em Washington dos interesses ligados ao governo pró-russo da Ucrânia.

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