Legislativas na França

Partido de Macron fica com maioria absoluta

Pleito destacou-se por recorde de abstenção, que deve ultrapassar os 56%, segundo os institutos de pesquisa

Promessa de renovação política e uma bateria de reformas do novo presidente são apontadas como razões da vitória esmagadora da legenda dele ( Foto: AFP )
00:00 · 19.06.2017

Paris. Com sua promessa de renovação da vida política e uma bateria de reformas, o movimento do presidente centrista Emmanuel Macron obteve ontem uma maioria absoluta esmagadora nas eleições legislativas na França. A República em Marcha (LREM) de Macron, movimento criado há pouco mais de um ano, e seu aliado centrista do MoDem barraram os principais partidos históricos de esquerda e direita com cerca de 360 assentos de 577, muito mais do que os 289 necessários para a maioria absoluta, segundo as estimativas preliminares publicadas pelos institutos de opinião.

Margem menor

Embora folgada, a vitória é inferior às previsões de pesquisas recentes que chegaram a apontar até 470 assentos aos centristas.

Essa votação destacou-se por um índice recorde de abstenção, que deve ultrapassar os 56%, segundo os institutos de pesquisa.

A vitória anunciada do partido do presidente, juntamente com um desinteresse crescente pela política, dissuadiu muitos eleitores de comparecer às urnas. A mudança na Assembleia Nacional salta aos olhos: metade dos novos deputados nunca ocupou cargos legislativos. Haverá muitos mais jovens e mulheres, e uma maior diversidade étnica. O presidente mais jovem da história da França - tem 39 anos -, e praticamente desconhecido há apenas três anos, estabeleceu como prioridade reformar todo o país com um leque de propostas socioliberais.

A nova Assembleia Nacional começará a votar três projetos de lei: um sobre a moralização da vida pública - após uma campanha desencadeada por diferentes escândalos político-financeiros - outro para reforçar as medidas de segurança contra o terrorismo e um terceiro sobre a reforma das leis trabalhistas.

Com esta vitória, o europeísta Emmanuel Macron ficará em posição de força na quinta e sexta-feira, durante a reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas.

Em pouco mais de um mês como presidente, Macron ganhou reputação internacional de homem carismático. Todos guardaram a imagem de seu firme aperto de mãos com o presidente americano, Donald Trump - interpretado como um desafio - e sua liderança mundial na luta contra as mudanças climáticas quando os Estados Unidos decidiram deixar o acordo.

Os demais partidos terão que se contentar com esses resultados fracos. A aliança dos conservadores, deve terminar com de 126 a 131 deputados, dos quais uma parte está disposta a apoiar o partido de Macron, sempre segundo estimativas dos institutos de opinião.

Ultradireita

O partido de ultradireita Frente Nacional (FN) deve passar de dois para oito assentos. Sua líder, Marine Le Pen, finalista com Macron nas eleições presidenciais de maio, sobrevive à hecatombe, com seu primeiro mandato parlamentar.

"Fui eleita com um excelente resultado", disse Le Pen, que, aos 48 anos, representará na Assembleia Nacional seu reduto de Hénin-Beaumont.

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