Síria

Papa vê perigo de nova 'catástrofe humanitária'

Francisco pediu diálogo e negociação a fim de preservar os civis, enquanto se aguarda ofensiva em Idlib

00:00 · 03.09.2018
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Grupos rebeldes na província de Idleb, no noroeste da Síria, realizam treinamento militar à espera de enfrentamento com forças leais ao regime de Assad ( FOTO: AFP )

Cidade do Vaticano. O papa Francisco fez um alerta ontem sobre o perigo de uma "catástrofe humanitária" na Síria, na província de Idlib, submetida há vários dias a um intenso ataque do regime de Damasco.

"O vento da guerra ainda sopra e nos chegam notícias inquietantes sobre o risco de uma possível catástrofe humanitária na Síria, que levamos em nosso coração, na província de Idlib", declarou o papa diante de milhares de fiéis na Praça de São Pedro.

Francisco renovou o pedido de "diálogo" e "negociação" para "preservar os civis".

Há vários semanas o governo sírio acumula forças militares nas fronteiras da província de Idlib, último grande reduto insurgente do noroeste da Síria.

Israel

Ontem, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, discutiu a guerra na Síria e o papel do Irã no conflito com dois enviados americanos em visita à região, informou seu gabinete em um comunicado.

O representante especial dos Estados Unidos para a Síria, James Jeffrey, conversou com Netanyahu "sobre a situação na Síria e sobre os esforços conjuntos" para limitar o papel do Irã no país devastado pela guerra, apontou a mesma fonte.

Teerã é um dos principais aliados do regime do presidente sírio Bashar al-Assad. James Jeffrey e o enviado Joel Rayburn estão em turnê pelo Oriente Médio com etapas em Israel e na Jordânia. Eles também irão visitar a Turquia, onde reafirmarão a oposição dos Estados Unidos a uma ofensiva contra a província de Idlib, no noroeste da Síria.

Damasco

Ao menos duas pessoas morreram no sábado à noite em um aeroporto militar do regime sírio perto da capital Damasco, informou a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), que atribuiu o fato a um "provável disparo de míssil israelense".

A imprensa estatal síria também informou sobre as explosões no aeroporto militar de Mazzé, na periferia oeste de Damasco. Mas não citou vítimas.

Este aeroporto abriga os serviços de inteligência da Força Aérea e no início de 2017 o regime sírio acusou Israel de bombardear a mesma base militar.

Citada pela agência oficial Sana, uma fonte militar síria "negou que o aeroporto de Mazzé teria sido alvo de uma agressão israelense".

Nos últimos meses, Israel intensificou seus ataques contra posições militares do regime sírio, bem como contra as forças iranianas presentes na Síria.

O Irã e o movimento Hezbollah libanês, dois inimigos de Israel que ainda está tecnicamente em guerra com Damasco, são os principais aliados do regime sírio ao lado da Rússia.

Israel reiterou na quarta-feira suas ameaças de ataques contra alvos militares iranianos na Síria, bem como contra posições do exército de Bashar al-Assad.

A guerra da Síria, iniciada em 2011, deixou mais de 350.000 mortos e obrigou milhões de pessoas a abandonar suas casas.

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