Proteção de menores

Papa convoca reunião episcopal para 2019

Santa Sé marca para fevereiro do ano que vem encontro com as Conferências Episcopais para discutir abusos

00:00 · 13.09.2018 / atualizado às 10:01
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Pontífice tem sido pressionado a dar uma resposta à série de denúncias de crimes sexuais envolvendo autoridades da Igreja Católica pelo mundo ( FOTO: AFP )

Cidade do Vaticano. O papa Francisco convocou para fevereiro de 2019 uma reunião no Vaticano de todos os presidentes das Conferências Episcopais para abordar a questão da "proteção de menores", anunciou a Santa Sé, ontem (12). A reunião acontecerá entre 21 e 24 de fevereiro de 2019, de acordo com um comunicado do C9, o conselho de cardeais que ajuda o papa Francisco na reforma do Vaticano.

Há meses, o papa Francisco enfrenta uma crise sem precedentes pelas contínuas revelações de escândalos de abusos sexuais em vários países, em particular Austrália, Chile e EUA.

O ex-embaixador da Santa Sé monsenhor Carlo María Vigano chegou a pedir a renúncia do papa em agosto, após acusar Francisco de ter protegido durante cinco anos o cardeal americano Theodore McCarrick, suspeito de agressões sexuais contra seminaristas e clérigos.

O papa receberá hoje os principais membros da Conferência Episcopal americana: seu presidente, o cardeal Daniel DiNardo; seu vice-presidente, monsenhor José Horacio Gómez; e seu secretário-geral, monsenhor Brian Bransfield. Também estará presente o arcebispo de Boston, Sean O'Malley, presidente da Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores. A comissão de O'Malley já havia advertido no domingo que a luta contra os abusos a menores deveria ser a "prioridade" da Igreja.

Escândalo na Alemanha

O escândalo dos abusos de menores, que domina o pontificado de Francisco, não mostra sinais de diminuir. Ontem, a Conferência Episcopal alemã reconheceu que se sentia "consternada e envergonhada" após o vazamento de um estudo que revela que milhares de crianças sofreram abusos sexuais pelas mãos de sacerdotes entre 1946 e 2014.

Brasil

O papa Francisco aceitou a renúncia de dom José Ronaldo Ribeiro, de 61 anos, bispo da cidade de Formosa (Goiás), acusado de desvio de dinheiro, anunciou a Santa Sé, ontem (12). Desde 2014, dom Ribeiro era bispo de Formosa, uma cidade de 115 mil habitantes. Ele foi detido em março, após a suspeita de desviar o equivalente a US$ 600 mil em três anos, para fins não religiosos, segundo a agência I.Media, especializada em Vaticano. Uma parte do dinheiro teria sido usada para comprar uma fazenda de gado e uma casa lotérica.

Além dele, outros seis padres da mesma diocese foram detidos, acusados de corrupção e de formação criminosa.

Para o lugar de dom Ribeiro e como administrador apostólico interino, o papa nomeou Paulo Mendes Peixoto, arcebispo de Uberaba, de 67 anos. Já ocupada desde 21 de março, a função foi agora oficialmente confirmada. Até a nomeação de um novo bispo, dom Peixoto ficará responsável por essa diocese.

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