Religião

Papa aconselha como ser um bom católico ante desafios do século XXI

00:00 · 10.04.2018
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Papa admitiu que não é fácil alcançar a santidade e destacou obstáculos como o "individualismo" ( FOTO: AFP )

Cidade do Vaticano. O papa Francisco lançou sua terceira exortação apostólica, a "Gaudete et Exsultate", um manual de como ser um bom católico frente aos desafios do século XXI. O papa, que prometeu uma "igreja pobre para os pobres", renovou seu compromisso com os esquecidos, os imigrantes e as vítimas das novas formas de escravidão.

No documento, o líder de quase 1,3 bilhão de católicos reitera seu compromisso com os imigrantes, com aqueles que sofrem e com aqueles que são excluídos. "A vida dos pobres é tão sagrada quanto a vida dos que não nasceram", diz ele. O papa argentino reconhece que não é fácil alcançar a santidade e cita tentações e até mesmo o diabo, "um ser pessoal que nos atormenta" com seu ódio e seus vícios e "não um mito, um símbolo ou uma ideia".

Como de costume também nas suas homilias, o papa ressalta aos católicos do século XXI os limites dos grandes fenômenos da vida moderna, como a violência verbal nas redes sociais, a tendência para a agressão, o egocentrismo, difamação e calúnia.

"O oitavo mandamento é completamente ignorado, 'não levante falso testemunho ou mentira', e a imagem dos outros é destruída sem misericórdia".

A terceira exortação de Francisco elogia a alegria de viver e o humor, pois considera que a santidade pode ser alcançada com gestos simples, como cuidar de seus entes queridos, cumprir seu trabalho honestamente.

Entre o conselho dado para se alcançar a santidade, "ser pobre de coração", "reagir com humilde mansidão", "saber chorar com os outros", "buscar a justiça com fome e sede" e "semear a paz ao nosso redor". E entre os maiores obstáculos para ser um católico exemplar: "negatividade, tristeza e individualismo".

Uma exortação apostólica é uma recomendação que o papa dirige aos fiéis sem chegar a ser a doutrina da Igreja. Além das exortações, Francisco escreveu em cinco anos de pontificado duas encíclicas: "Lumen fidei", em 2013 e assinada com Bento XVI, e "Laudato si" em 2015.

Redes sociais

Francisco, que não tem computador nem televisão, mesmo que suas palavras estejam presentes nas redes sociais, insiste particularmente nos efeitos de uma sociedade hiperconectada.

"O consumo da informação superficial e as formas de comunicação rápida e virtual podem ser um fator de atordoamento que se leva todo o nosso tempo e nos afasta do sofrimento dos irmãos", adverte. No documento, o papa disse que católicos não devem relativizar diferentes aspectos dos ensinamentos sociais da igreja, dando prioridade ou atenção total a uma única questão ética ou moral, enquanto menosprezam problemas sociais. "Nossa defesa do inocente não nascido precisa ser clara, firme e passional, porque em risco está a dignidade de uma vida humana, que é sempre sagrada e exige amor para cada pessoa, independentemente de seu estágio de desenvolvimento".

Saiba mais

A seguir, trechos da terceira exortação apostólica do papa Francisco, 'Gaudete et Exsultate", um texto dividido em 5 capítulos e que explica aos católicos como ser santos comuns do dia a dia.

"Eu gosto de ver a santidade nos pais que educam seus filhos com amor, nos homens e mulheres que trabalham para levar o pão para casa".

"Seja santo lutando pelo bem comum e renunciando aos seus interesses pessoais".

"Nem tudo que um santo diz é totalmente fiel ao Evangelho, nem tudo que ele faz é autêntico ou perfeito".

"É nocivo e ideológico o erro daqueles que vivem suspeitando do compromisso social dos outros, considerando algo superficial, mundano, secular, imanente, comunista, populista".

"A defesa do nascituro inocente, por exemplo, deve ser clara, firme e apaixonada, porque é ali que está em jogo a dignidade da vida humana, sempre sagrada, e exige o amor de cada pessoa além de seu desenvolvimento. Mas igualmente sagrada é a vida dos pobres que já nasceram, que estão lutando na pobreza, no abandono, no adiamento, no tráfico de pessoas, na eutanásia encoberta nos doestes e idosos privados de atenção, as novas formas de escravidão, e em toda forma de exclusão".

"O consumismo hedonista pode nos pregar uma peça, porque nesta obsessão terminamos muito focados em nós mesmos, em nossos direitos e do desespero de ter tempo livre para desfrutar".

"Os jovens estão expostos a um zapping constante. É possível navegar em duas ou três telas simultaneamente e interagir simultaneamente em diferentes cenários virtuais. Sem a sabedoria do discernimento podem facilmente se tornar marionetes à mercê das tendências atuais".

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