Alexei Navalny

Opositor russo volta a tribunal

Apontado como foco de resistência ao Kremlin, ativista foi detido por protestos contra quarto mandato de Putin

00:00 · 12.05.2018

Moscou. O principal opositor russo, Alexei Navalny, conseguiu na sexta alguns dias de trégua da Justiça russa, que o acusa de organizar, dois dias antes da posse de Vladimir Putin para um quarto mandato, manifestações não autorizadas que foram dispersadas pela Polícia com a ajuda de unidades paramilitares.

Detido em 5 de maio junto com mais de 1.500 manifestantes, o opositor chegou na sexta de manhã ao tribunal moscovita que deve julgá-lo por duas infrações: organização de manifestação não autorizada e desobediência às forças de ordem.

O tribunal Tverskoi de Moscou decidiu adiar a decisão para o próximo dia 15 de maio, a fim de poder ouvir os depoimentos de dois policiais. Navalny se expõe a uma condenação de um mês de prisão por cada acusação, segundo a lei russa.

Acostumado aos julgamentos, Navalny, de 41 anos, multiplicou nos últimos meses as manifestações para pressionar o Kremlin, após ter sido declarado inapto para participar das presidenciais de 18 de março, vencidas sem surpresa por Putin.

"Não é nosso czar"

Sob a consigna "Não é nosso czar", o opositor pediu que seus partidários fossem às ruas. Milhares de pessoas se reuniram em muitas cidades do país.

Em Moscou ocorreram distúrbios entre manifestantes da oposição e pessoas que usavam vestimentas militares e gorros tradicionais de cossacos e gritavam a favor do Kremlin.

A Polícia usou a força para dispersar a manifestação e prendeu manifestantes, às vezes muito jovens. Em outubro, Navalny foi condenado a 20 dias de prisão por convocar protestos não autorizados.

Esta ação ocorre dias depois da tomada de posse de Putin para um quarto mandato, até 2024, 25 anos depois de sua chegada ao poder.

Durante seu terceiro mandato, Putin foi mais rígido com a oposição e endureceu a lei sobre a liberdade de manifestação e a violência contra as forças de ordem. Uma nova lei, que prevê multas e períodos de detenção para as pessoas que incitarem os menores de idade a participar de protestos não autorizados, foi apresentada na Duma, Câmara baixa do Parlamento russo, onde o partido no poder, Rússia Unida, é majoritário.

Alexei Navalny tem uma forte popularidade entre a juventude russa e suas manifestações mobilizam muitos adolescentes.

Segundo a organização OVD-Info, especializada em acompanhar as detenções, ao menos 170 menores foram detidos no sábado durante as manifestações contra o governo.

Muito presente nas redes sociais, Navalny denunciou o bloqueio do aplicativo de mensagens instantâneas Telegram, ordenado em abril pelas autoridades russas, para inibir articulações de oposicionistas. Em 30 de abril, o opositor se manifestou com 8.000 russos contra o reforço da vigilância na Internet.

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