POR PAÍSES LATINO-AMERICANOS

ONU denuncia restrição à imigração venezuelana

Duas agências das Nações Unidas pediram apoio da comunidade internacional ao drama vivido pelos refugiados

00:00 · 24.08.2018 / atualizado às 13:02

Nova York/Caracas. A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu, ontem, aos países latino-americanos que continuem acolhendo os refugiados venezuelanos e denunciou as novas exigências nas fronteiras implementadas pelo Equador e o Peru. Em um comunicado conjunto, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi, e o diretor-geral da Organização para as Migrações, William Lacy Swing, pediram um apoio maior da comunidade internacional à medida que o êxodo aumenta.

Também se declararam "preocupados diante de vários acontecimentos recentes que afetam os refugiados e imigrantes que procedem da Venezuela".

As duas agências da ONU se referiam, em particular, aos novos requisitos de passaporte e entrada nas fronteiras do Equador e do Peru, bem como as modificações introduzidas nas autorizações temporárias de residência para os venezuelanos no Peru. A Colômbia denunciou a medida tomada por seus vizinhos, alegando que favorece as migrações clandestinas.

Por outro lado, mais de 400 mil venezuelanos entraram no Peru nos últimos dois anos, no âmbito da política de portas abertas que inicialmente ofereceu as autoridades ante a crise social e econômica que a Venezuela está vivenciando. O Peru decidiu então exigir um passaporte para os venezuelanos que fugiam de seu país natal, quando detectaram sua entrada com falsas cédulas.

As tensões migratórias também estão aumentando em outros países da América Latina, como o Brasil, onde houve violentos distúrbios entre migrantes e a população da cidade de Pacaraima, em Roraima, no final de semana. Em função da situação, o governo brasileiro anunciou que mais de mil venezuelanos que permanecem no estado de Roraima serão distribuídos por outras cidades do Brasil.

Desde o início do ano, 820 venezuelanos foram transferidos para outras cidades brasileiras, incluindo São Paulo e Manaus. Dos 2,3 milhões de venezuelanos que vivem no exterior, mais de 1,6 milhão fugiram desde 2015, quando o país mergulhou em uma grave crise econômica e política.

Noventa por cento deles se refugiaram em países da região, sendo que só o Brasil recebeu 128 mil venezuelanos nos últimos 18 meses, incluindo população indígena.

 

Brasil

Após visitar os centros de recepção e triagem de imigrantes na fronteira entre Brasil e Venezuela, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse, ontem, que episódios de violência que levaram à saída de venezuelanos da cidade de Pacaraima (RR) não são de responsabilidade do governo federal.

"O governo federal tem procurado fazer tudo o que está ao seu alcance", disse Jungmann".

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