EM MIANMAR

ONU aponta genocídio de minoria rohingya

Relatório pede abertura de processo contra autoridades por crimes de guerra e contra a humanidade

00:00 · 28.08.2018 / atualizado às 10:50
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Não reconhecidos oficialmente como cidadãos no país asiático, a etnia muçulmana fugiu, para nações como Bangladesh e Indonésia, de "limpeza étnica" que incluiu incêndios promovidos pela alta cúpula militar birmanesa ( FOTO: AG. FRANCE PRESSE )

Genebra/Naypyidaw. Investigadores das Nações Unidas pediram ontem que a Justiça internacional inicie um processo contra o comandante das Forças Armadas de Mianmar e outros cinco militares por "genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra", pela repressão da minoria rohingya.

"Os principais generais de Mianmar, incluindo o comandante em chefe Min Aung Hlaing, devem ser investigados e processados por genocídio no norte do estado de Rakhine", afirma um relatório da missão da ONU em Mianmar. Também devem ser investigados por crimes contra a humanidade e crimes de guerra nos estados de Rakhine, Kachin e Shan.

10 mil mortos

Mais de 700 mil rohingyas foram obrigados a fugir de Mianmar entre agosto e dezembro de 2017, após uma ofensiva do Exército birmanês em represália aos ataques de rebeldes rohingyas contra postos de fronteira.Os rohingyas buscaram refúgio em Bangladesh, onde moram em gigantescos campos de refugiados. A missão da ONU considera "prudente" a estimativa anunciada pela ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) de que 10 mil pessoas morreram durante a perseguição aos rohingyas.

De acordo com os investigadores da ONU, a líder birmanesa Aung San Suu Kyi "não utilizou sua posição com chefe de Governo nem sua autoridade moral para enfrentar, ou impedir, os atos ocorridos no estado de Rakhin". "Por seus atos e omissões, as autoridades contribuíram para a execução destes crimes atrozes", afirmam os investigadores das Nações Unidas.

O Conselho de Segurança pediu em várias ocasiões ao governo de Mianmar o fim das operações militares e garantias para um retorno seguro dos rohingyas, mas estas iniciativas esbarraram na recusa da China, principal aliada de Mianmar.

"Relações inter-religiosas são muito complexas em Myanmar. Muçulmanos, especialmente os rohingya, são confrontados com a islamofobia profundamente arraigada de uma sociedade e Estado predominantemente budistas. Os fundamentalistas alegam que a cultura budista nacional estaria ameaçada pelos muçulmanos", observou Siegfried O. Wolf, pesquisador em Bruxelas.

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