Nova liderança

Um ídolo do esporte assume como primeiro-ministro do Paquistão

ex-jogador de críquete, Imran Khan, obteve 176 votos, quatro a mais que os que precisava para ser eleito

11:11 · 18.08.2018 por Agence France-Presse
Paquistão
A cerimônia de posse foi realizada no palácio presidencial neste sábado (18). ( Foto: FAROOQ NAEEM / AFP )

Imran Khan, ex-jogador de críquete e ídolo nacional, prestou juramento neste sábado (18) como primeiro-ministro do Paquistão, abrindo uma nova era política com a promessa de lutar contra a corrupção e a pobreza.

Visivelmente emocionado, jurou "fé sincera e fidelidade ao Paquistão" e prometeu trabalhar "no interesse da soberania e pela integridade, solidaridade, bem-estar e prosperidade do país".

A cerimônia foi realizada no palácio presidencial ante as principais autoridades civis e militares do Paquistão, dignitários estrangeiros e  diplomáticos.

Também estiveram presentes todos os jogadores de críquete paquistaneses campeõe sdo mundo em 1992, quando Imran Khan era capitão do time, alguns jogadores indianos especialmente convidados para a ocasião e vários artistas.

A nova primeira-dama, Bushra Bibi, coberta por um niqab branco que só deixava ver seus olhos, fez sua primeira apariação pública desde seu casamento no início de 2018.

Khan foi eleito pelo parlamento na sexta-feira depois que seu partido venceu as eleições legislativas de 25 de julho.

Com 65 anos, era o grande favorito ante seu único adversário, Shahbaz Sharif, irmão do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif. 

O ex-jogador de críquete obteve 176 votos, quatro a mais que os que precisava para ser eleito.

O Movimento pela Justiça (PTI), o partido de Khan, venceu as legislativas, mas não conseguiu a maioria absoluta. Desde então, dirigentes do PTI negociavam com outras formações e deputados independentes para formar um governo de coalizão.

Shahbaz Sharif, chefe das fileiras da Liga Muçulmana do Paquistão (PML), não dispunha praticamente de qualquer possibilidade para ser eleito.

Alguns analistas descreveram a campanha das legislativas como uma das mais "sujas" da história do país pelas supostas manipulações em benefício de Khan realizadas pelo exército paquistanês, ator protagonista da política deste país, com vários golpes de Estado.

Também foi marcada pela presença crescente de partidos islamitas radicais e pelas acusações de fraude eleitoral. 

A vitória de Khan põe ponto final a uma década em que o PML-N e o Partido do Povo Paquistão (PPP) se alternaram no poder. 

O Paqujistão, país com mais de 200 milhões de pessoas, nascido da divisão da Índia colonial britânica e que esta semana completou 71 anos, foi dirigido pelo exército durante quase a metade de sua complexa história.

O ex-campeão de críquete prometeu um "novo Paquistão" e se comprometeu a luta contra a corrupção e a pobreza.

O PTI já presidiu um governo provincial na região em Khyber Pakhtunkhwa, no noroeste do país, que é seu principal feudo eleitoral.

Também fez parte de um governo de coalizão na província do Baluquistão,  sudoeste do Paquistão.

Khan é idolatrado por milhões de paquistaneses por seu passado como astro da seleção de críquete, o esporte nacional, que foi campeã do mundo em 1992. 

Fora seu passado esportivo, Khan é conhecido agora como "Trump paquistanês" por seu estilo populista e suas propostas conservadoras.

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