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Sobe para pelo menos 20 número de mortos em protestos no Irã, diz TV estatal

A agência ILNA afirma que 450 pessoas foram detidas nos últimos três dias em Teerã

08:50 · 02.01.2018 / atualizado às 09:06 por Estadão Conteúdo
Sobe para pelo menos 20 número de mortos em protestos no Irã, diz TV estatal
Os protestos começaram na quinta-feira (28), por questões econômicas, como a inflação, e se disseminaram por várias cidades ( Foto: AFP )

Mais nove pessoas morreram em meio aos protestos e distúrbios na última noite no Irã, de acordo com a televisão estatal. O mais recente balanço, divulgado nesta terça-feira (2), eleva para pelo menos 20 o número de mortos nos seis dias de manifestações.

A TV estatal disse que seis manifestantes foram mortos durante um ataque a uma delegacia na cidade de Qahdarijan. Segundo a imprensa oficial, houve confrontos quando os manifestantes tentaram roubar armas do local. Além disso, a TV estatal disse que um garoto de 11 anos e um homem de 20 foram mortos na cidade de Khomeinishahr, e que um integrante da Guarda Revolucionária, uma força paramilitar, morreu na cidade de Najafabad. Todas essas pessoas foram mortas por rifles de caça, segundo a informação oficial. As cidades ficam todas na província de Isfahan, no centro iraniano, 350 quilômetros ao sul de Teerã.

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A agência semioficial ILNA afirmou que 450 pessoas foram detidas nos últimos três dias em Teerã. A informação foi atribuída a Ali Asghar Nasserbakht, vice-diretor de segurança na capital. Nasserbakht disse que 200 manifestantes foram detidos no sábado, 150 no domingo e 100 na segunda-feira.

Os protestos começaram na quinta-feira (28), por questões econômicas, como a inflação, e se disseminaram por várias cidades. Não foram ainda divulgados números de prisões em todo o país.

O chefe do Tribunal Revolucionário de Teerã, Mousa Ghazanfarabadi, disse nesta terça-feira que pode haver pena de morte para os manifestantes. A informação foi citada por outra agência semioficial, a Tasnim. Ghazanfarabadi também afirmou que alguns manifestantes devem ser julgados logo, por acusações como agir contra a segurança nacional e danificar propriedades públicas. Ele enfatizou que as manifestações não tinham aval do Ministério do Interior, que monitora a polícia, por isso eram ilegais. O Tribunal Revolucionário do país lida com casos que envolvem tentativas de derrubar o governo.

O governo da Síria, por sua vez, demonstrou solidariedade com o Irã, diante dos protestos. Teerã tem apoiado o regime do presidente Bashar al-Assad e injetou centenas de milhões de dólares desde 2011 na economia síria. O Ministério das Relações Exteriores da Síria divulgou comunicado nesta terça-feira com críticas aos governos dos EUA e de Israel por demonstrarem apoio aos manifestantes iranianos. Damasco culpou os dois países pela desestabilização regional. A chancelaria disse ainda que a soberania do Irã deve ser respeitada e que ninguém deve se envolver em assuntos internos. "A Síria confia que a liderança do Irã, o governo e o povo serão capazes de derrotar a conspiração", afirma a nota.

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