Rainha Elizabeth 2ª e primeiro-ministro lamentam morte de Margaret Thatcher

Tatcher foi a única mulher a assumir o cargo de primeira-ministra do Reino Unido

14:37 · 08.04.2013 por Folhapress

Morreu na manhã desta segunda-feira (8) em Londres a ex-primeira-ministra do Reino Unido Margaret Thatcher. Ela tinha 87 anos e sofreu um acidente vascular cerebral, segundo seu porta-voz, Lord Bell.

Tatcher teve o mandato mais longo na política britântica. Foto: Reuters

Conhecida como Dama de Ferro, ela foi a única chefe de governo britânica mulher e liderou o Reino Unido entre 1979 e 1990, o período mais longo de mandato na política britânica desde o século 19.

A rainha Elizabeth 2ª e o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, lamentaram a morte. Em nota, o Palácio de Buckingham afirmou que a rainha ficou triste ao receber a notícia e mandará uma mensagem privada de condolências à família.
 
Cameron disse ter sabido da morte com "muita tristeza", segundo mensagem divulgada pela assessoria do governo britânico. "Perdemos uma grande líder, uma grande primeira-ministra e uma grande britânica", afirmou.
 
O primeiro-ministro interrompeu uma viagem à Espanha após receber a notícia da morte e está voltando para o Reino Unido. Ele deve dar uma declaração à tarde.
 
Thatcher deve receber um funeral com honras de Estado. O Parlamento britânico está em recesso, mas vários congressistas estão se manifestando na imprensa local e na internet.

Trajetória da Dama de Ferro

A ex-primeira-ministra nasceu como Margaret Roberts em Lincolnshire, a 227 km de Londres, em 13 de outubro de 1925. Ela incorporou o sobrenome com o qual ficou conhecida em 1951, após se casar com o empresário Denis Thatcher.

Ela se candidatou pela primeira vez ao Parlamento em 1950, mas só se transformou em deputada em 1959, quando se elegeu pelo Partido Conservador. Seu primeiro cargo no governo britânico veio em 1970, quando se tornou secretária de Educação do governo de Ted Heath.

Em 1975, derrotou seu antigo chefe na disputa pela liderança do Partido Conservador, à época na oposição. Quatro anos depois, se elegeu primeira-ministra, cargo com o qual ficou até 1990. Ela foi reeleita em outras duas eleições, em 1983 e 1987.

Foi uma das primeiras defensoras do neoliberalismo e promoveu em seu mandato reformas para diminuir o tamanho do Estado britânico. Dentre elas, fez a desregulamentação do setor financeiro, a flexibilização do mercado de trabalho e a privatização das empresas estatais.

As políticas marcaram tendência nas décadas de 1980 e 1990 e foram incorporadas por diversos países, incluindo o Brasil, como remédio para fortes crises econômicas.

Na política externa, atuou em forte coordenação com o presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan e fez duras críticas à antiga União Soviética, que viria a acabar em 1991.

Além disso, impulsionou as tropas britânicas que combateram contra a Argentina na Guerra das Malvinas, em 1982, e defendeu as ações do ex-ditador do Chile, Augusto Pinochet, que deixou o poder no mesmo ano que ela.

A Dama de Ferro não falava em público desde 2002, quando foi desaconselhada por médicos a se apresentar diante de grandes audiências após uma série de pequenos derrames, que deixaram como sequela confusões ocasionais e perdas de memória.

Segundo o repórter da BBC James Landale, Thatcher passou seus últimos dias de vida no hotel Ritz de Londres porque era mais fácil para que a família e os enfermeiros pudessem cuidar dela.

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