ASHRAF GHANI

Presidente afegão declara nova trégua com talibãs

Ashraf Ghani declarou um cessar-fogo de três meses com os talibãs

19:43 · 19.08.2018 por AFP
Ashraf Ghani
"O cessar-fogo deve prosseguir até o aniversário do profeta (21 de novembro), sob a condição de que os talibãs façam o mesmo", afirmou o chefe de Estado Ashraf Ghani. Foto: AFP/Tatyana Zenkovich

O presidente afegão, Ashraf Ghani, declarou neste domingo (19) um cessar-fogo de três meses com os talibãs, sob a condição de que eles também interrompam os combates após um recente aumento da violência no país."Anuncio um novo cessar-fogo a partir de segunda-feira (19) até o aniversário do profeta (21 de novembro), sob a condição de que os talibãs façam o mesmo", afirmou o chefe de Estado em um pronunciamento transmitido pela televisão.

Em junho, havia sido declarado um cessar-fogo de poucos dias, ao final da celebração do Ramadã, o mês do jejum sagrado muçulmano.O anúncio é feito depois de, nos últimos 10 dias, o Afeganistão sofrer novos episódios de violência extrema. Em 9 de agosto, os talibãs lançaram um ataque contra Ghazni, cidade estratégica situada a duas horas de estrada de Cabul.

Apoiado por dezenas de ataques aéreos americanos, o Exército afegão batalhou vários dias para conseguir expulsá-los.

Os Estados Unidos apoiaram a oferta de cessar-fogo e pediu aos talibãs que entreguem as armas."Os Estados Unidos saúdam o anúncio do governo afegão de um cessar-fogo condicionado a uma participação dos talibãs", disse o secretário de Estado Mike Pompeo em comunicado.

"Nossos aliados internacionais e nós apoiamos essa iniciativa do povo e do governo afegãos e convocamos os talibãs a participar nela", acrescentou.

O ministro afegão da Defesa, Tariq Shah Bahrami, comunicou um balanço de ao menos 100 soldados mortos nos combates, além do óbito de entre 20 e 30 civis. O representante especial da ONU no Afeganistão, Tadamichi Yamamoto, citou estimativas que falavam de algo em torno "de 110 a 150 vítimas" civis em Ghazni.

Os talibãs também conquistaram uma base do Exército afegão no noroeste, enquanto na semana passada um atentado do grupo extremista Estado Islâmico (EI) contra uma escola em Cabul provocou a morte de pelo menos 37 pessoas, em sua maioria adolescentes.

Apoio paquistanês

"Não há dúvida de que há desespero do lado do governo em conseguir um acordo de paz com os talibãs. É a única maneira de sair deste conflito violento e é um pedido legítimo dos afegãos", disse o analista Haroon Mir, questionado pela AFP. "Mas duvido que os talibãs (parem de lutar) levando em conta suas posições passadas e suas vitórias".

Os talibãs ainda não responderam ao chamado do chefe de Estado, mas em muitas ocasiões se recusaram a negociar com as autoridades afegãs, as quais descrevem como "marionetes" nas mãos dos Estados Unidos. Neste fim de semana, um de seus líderes pediu novamente conversas com o governo americano.

Até agora, os Estados Unidos negaram sistematicamente os pedidos para negociar com os talibãs. Mas funcionários americanos se reuniram no mês passado com representantes dos insurgentes no Catar. Nada vazou desse encontro.

O anúncio foi imediatamente celebrado pelo Paquistão, país vizinho acusado pelas autoridades afegãs de apoiar os insurgentes, especialmente lhes dando abrigo em seu lado da fronteira.

"O Paquistão apoia totalmente todos os esforços desse tipo que contribuam para facilitar a estabilidade e a paz duradoura no Afeganistão", indicou o Ministério paquistanês das Relações Exteriores em um comunicado, convocando "todas as partes (...) a respeitar um cessar-fogo".

Pelo Twitter, o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, também saudou a decisão do presidente afegão."Estimulo os talibãs a mostrarem que se preocupam com o destino dos afegãos, respeitando o cessar-fogo", acrescentou.

Uma primeira trégua de três dias foi aplicada em meados de junho para o fim do Ramadã, algo nunca visto desde que a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos derrubou os talibãs do poder em outubro de 2001, após os atentados do 11 de Setembro.

Uma nova pausa nos ataques era esperada, por ocasião do feriado de Aid el Kebir, uma das principais datas festivas para os muçulmanos, que acontece nos próximos dias.

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