Venezuela

Plano econômico de Maduro entra em vigor com notas com menos cinco zeros

A maior nota será de 500 bolívares, o equivalente a cerca de US$ 7 ou R$ 27

09:42 · 20.08.2018 por Folha Press
Nicolás Maduro
Maduro sustenta que a emissão dos novos bilhetes será o ponto de partida para uma "grande mudança". (Foto: Federico Parra / AFP)

Novos bilhetes do bolívar com menos cinco zeros entram em circulação nesta segunda-feira (20) na Venezuela, na primeira medida do plano de reformas econômicas do presidente Nicolás Maduro. Devido às incertezas, muitos comércios fecharam no fim de semana em Caracas e em outras cidades, enquanto os postos de gasolinas se encheram de filas diante de um anunciado aumento nos preços. 

Maduro sustenta que a emissão dos novos bilhetes será o ponto de partida para uma "grande mudança". A maior nota será de 500 bolívares (cerca de US$ 7 ou R$ 27). Na última sexta (17), Maduro anunciou a unificação das taxas de câmbio do país; a nova taxa passa a ser atrelada a uma criptomoeda, que por sua vez é ligada ao preço do petróleo. Com a medida, a moeda do país na prática foi desvalorizada em 96% em relação ao dólar. 

Maduro disse que o petro, a criptomoeda criada por ele no início do ano, passa a definir, além do câmbio, também o salário mínimo e as pensões. Um petro vai valer US$ 60 (R$ 235) ou 360 milhões de bolívares. 

Outra medida anunciada foi o aumento do salário mínimo em quase 3.500% a partir de 1º de setembro. Maduro anunciou que o governo cobrirá por um prazo de 90 dias o aumento salarial que pequenas e médias empresas devem fazer. Henkel García, diretor da consultoria Econométrica, avaliou que o reajuste dos salários implicará um aumento de moeda em circulação, raiz da hiperinflação. 

Segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional), a inflação na Venezuela este ano será de 1.000.000%. Há dúvidas também sobre como exatamente o petro vai funcionar. "Se você mantém o déficit e a emissão desordenada de dinheiro, a crise continuará se agravando", afirmou o economista Jean Paul Leidenz. O aumento do salário mínimo, por sua vez, deve aumentar o desemprego, segundo economistas.

Jhonny Herrera, 41, dono de uma loja no norte da Venezuela, disse que provavelmente vai demitir dois funcionários, ficando com apenas um. Na época de bonança, ele tinha 10 empregados. "Já pensei em fechar o negócio e ir embora, agora mais ainda com esses aumentos. Só fiquei por causa do meu filho de 14 anos", afirmou. 

"Vou ter de aumentar os preços. E se eu não vender, a produção cai, e tenho de demitir alguns dos meus funcionários", disse Luis Carballo, dono de uma padaria em San Cristóbal. A nova emissão de bilhetes chega 20 meses depois de o governo ter lançado notas de alta denominação, diluídos pela inflação e pela acelerada desvalorização.

A reconversão desta segunda-feira é a segunda em uma década, depois que Hugo Chávez eliminou em 2008 três zeros e surgiu o "bolívar forte". Agora, surge o "bolívar soberano". Os três principais partidos opositores convocaram uma greve de 24 horas para a terça-feira (21), em protesto contra o plano econômico. 

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