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Papa pede perdão às vítimas de abusos na Irlanda

Durante missa em Dublin, papa Francisco pede perdão às vítimas de abusos cometidos por membros da igreja

16:11 · 26.08.2018 / atualizado às 16:14 por AFP
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Papa Francisco em Knock, na Irlanda, um dos países mais católicos da Europa. Foto: AFP/Tiziana Fabi

O papa Francisco enumerou neste domingo (26) em uma missa em Dublin uma grande de lista de "perdões" às vítimas de abusos cometidos por padres ou instituições religiosas na Irlanda, no segundo dia de sua visita ao país.Francisco chegou em papamóvel sob um céu chuvoso no imenso parque Phoenix, ocasião para este país, um dos mais católicos da Europa, demonstrar seu fervor.

Em sua primeira intervenção, o papa surpreendeu ao pronunciar em espanhol uma ladainha de perdão "aos sobreviventes dos abusos de poder, de consciência e sexuais" na Irlanda.Listando todos os crimes cometidos, Francisco pediu perdão "às crianças que foram tiradas de suas mães" porque engravidaram fora do casamento.Também acusou "membros da hierarquia que se calaram".

"Pedimos perdão pelos abusos na Irlanda, abusos de poder, de consciência; abusos sexuais por parte de membros qualificados da Igreja", disse.

"De maneira especial, pedimos perdão por todos os abusos cometidos em diversos tipos de instituições dirigidas por religiosos e religiosas e outros membros da Igreja. E pedimos perdão pelos casos de exploração trabalhista à qual muitos menores foram submetidos", acrescentou.

Mais cedo, durante uma visita ao Santuário de Knock, a 180 km de Dublin, o papa implorou "o perdão do Senhor por estes pecados, pelo escândalo e pela traição sentida por muitas pessoas na família de Deus".

Desde 2002, mais de 14.500 pessoas foram vítimas de abusos sexuais por membros do clero na Irlanda. A hierarquia da Igreja irlandesa é acusada de ter encoberto centenas de padres.Várias investigações também revelaram práticas ilegais de adoção de crianças nascidas de mulheres solteiras, realizadas pelo Estado irlandês com a cumplicidade da Igreja Católica.

A magnitude desses escândalos explica em parte a perda de influência da Igreja sobre a sociedade irlandesa, historicamente muito católica, nos últimos anos."Nenhum de nós pode evitar sentir-se comovido com as histórias de crianças que sofreram abusos, que tiveram sua inocência roubada e que foram abandonadas a dolorosas lembranças".

"Esta ferida aberta nos desafia a ser firmes e determinados na busca da verdade e da justiça", acrescentou ele, 39 anos depois de João Paulo II, que veio a se ajoelhar neste local.Antes de Francisco, Bento XVI, seu antecessor, escreveu em 2010 uma carta a todos os católicos irlandeses, reconhecendo a responsabilidade da Igreja nos abusos cometidos no país.

Oficialmente dedicada ao Encontro Mundial das Famílias, a visita do papa neste fim de semana à Irlanda foi ofuscada pelos escândalos de abusos do clero.No sábado (25), em Dublin, o papa falou de sua "vergonha" e "sofrimento" diante do "fracasso das autoridades da Igreja" para enfrentar adequadamente os "crimes hediondos" do clero na Irlanda.

Mas o próprio Francisco foi acusado por um ex-embaixador do Vaticano em Washington, o arcebispo Carlo Maria Vigano, de ter retirado as sanções impostas contra o cardeal Theodore McCarrick, apesar da existência de acusações por "comportamento gravemente imoral com seminaristas e padres".

"A corrupção atingiu o topo da hierarquia da Igreja", disse o bispo Vigano em uma carta, chegando a exigir a renúncia do papa.

Esta carta de onze páginas foi publicada simultaneamente no sábado (25) em várias publicações católicas americanas de tendência tradicionalista ou ultraconservadora, assim como em um jornal italiano de direita.

Neste documento, o ex-núncio apostólico, agora aposentado, também aponta para um grande número de altos prelados da Cúria Romana, incluindo o número dois Pietro Parolin.O papa Francisco aceitou em julho a renúncia do Colégio dos Cardeais de Theodore McCarrick, de 88 anos, arcebispo emérito de Washington.

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