controvérsia

'Ministro da Comunicação' do Vaticano se demite após polêmica

Dario Viganò é acusado de manipular uma carta de Bento XVI sobre o papa Francisco

Dario Viganò foi o encarregado de uma reforma dos meios de comunicação da Santa Sé ( Foto: Gabriel Bouys / AFP )
11:21 · 21.03.2018 / atualizado às 11:28 por AFP

O "ministro da Comunicação" do Vaticano, monsenhor Dario Viganò, encarregado de uma reforma dos meios de comunicação da Santa Sé, renunciou ao cargo nesta quarta-feira (21), ao ser acusado pela imprensa de manipular uma carta de Bento XVI sobre o papa Francisco.

"Depois de ter refletido e ponderado com atenção os motivos que indica (...), respeito sua decisão e aceito com certa dificuldade sua renúncia", escreveu o papa Francisco a Viganò, em uma mensagem divulgada pelo Vaticano.

A controvérsia explodiu na semana passada, depois da divulgação de uma carta de Bento XVI. Nela, ele se recusava a escrever um prólogo para uma série de livretos teológicos e didáticos de Francisco publicados pelo Vaticano por ocasião do quinto aniversário de seu pontificado.

Os primeiros parágrafos da carta, na qual Bento XVI defende a formação teológica do papa argentino, foi divulgada há quatro dias pelo Vaticano por meio de uma foto digital.

No entanto, os meios de comunicação observaram que vários parágrafos haviam sido omitidos, entre eles um em que o pontífice emérito se nega por razões de "saúde e de tempo" a escrever um prólogo.

Poucos dias depois, surgiu outro parágrafo importante, no qual Bento XVI explica que não aceita escrever a apresentação devido ao fato de que, entre os autores dos 11 livretos, figuram teólogos alemães - em particular, Peter Hünermann, que foi um crítico implacável de João Paulo II e de Joseph Ratzinger como teólogo e como papa.

Acusando Viganò de "mentiroso e manipulador", sua renúncia havia sido pedida pelo site conservador Infovaticana, um dos meios de comunicação mais críticos de Francisco.

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