"Molka"

Milhares de sul-coreanas se mobilizam contra pornografia com câmeras ocultas

Desde maio, quando começaram as manifestações mensais em Seul, a mobilização foi crescendo e já é a maior da história da Coreia do Sul protagonizada por mulheres

19:52 · 04.08.2018 por AFP
Seul / Pornografia
Muitas sul-coreanas cobriram seus rostos, depois que participantes de protestos anteriores foram vítimas de perseguição virtual e ameaças ( Foto: AFP )

Sul-coreanas se manifestaram neste sábado (4) em Seul exigindo punições mais duras contra os homens que filmam secretamente banheiros públicos e vestiários e publicam as imagens na internet - uma prática chamada de "molka" que está no seu auge e provoca cada vez mais indignação.

Cerca de 70.000 mulheres participaram da manifestação, segundo as organizadoras, apesar de uma onda de calor sem precedentes que levou os termômetros aos 37ºC.

"Os banheiros femininos deste país estão cheios de câmeras escondidas! Por favor, reprimam estes crimes", pediam as manifestantes na praça Gwanghwamun de Seul. 

"Não podemos continuar vivendo assim" ou "Coreia do Sul: o país das câmeras secretas" eram algumas das frases em cartazes.

Muitas das manifestantes cobriram seus rostos com panos, chapéus, óculos de sol ou máscaras cirúrgicas, depois que participantes de protestos anteriores foram vítimas de perseguição virtual e ameaças

Essas manifestações começaram em maio em Seul e, desde então, foram batendo recordes a cada mês, até se tornaram os maiores protestos organizados por mulheres na Coreia do Sul, onde o movimento #MeToo desatou uma onda sem precedentes de ativismo feminista. 

As organizadoras estimam que neste sábado se reuniram 10 mil mulheres a mais que na semana passada. 

Avanço tecnológico 

A Coreia do Sul, quarta maior economia da Ásia, é conhecida por seus avanços tecnológicos que também favoreceram o fenômeno dos vídeos roubados, que são publicados em fóruns da internet, serviços de troca de arquivos ou utilizados como anúncios em sites que promovem a prostituição.

A polícia registrou 6.500 infrações no ano passado, em comparação com 1.100 em 2010. Os condenados são, em sua maioria, homens, de professores de escola a médicos, passando por religiosos, funcionários públicos, policiais e até mesmo um juiz.

As manifestantes pedem para o governo endurecer a punição, já que, em muitos casos, os culpados só recebem uma multa ou são condenados a penas de prisão com concessão de sursis (suspensão condicional da pena).

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