Crise Separatista

Líder da Catalunha recua e propõe diálogo com governo espanhol

A manobra, no entanto, parece ter apenas adiado o caos institucional na Espanha. Não está claro quais serão os próximos passos do governo regional por sua separação

Os corredores da Casa estavam abarrotados com centenas de repórteres, que improvisavam suas redações em pequenos gabinetes para acompanhar as declarações ( Foto: LLUIS GENE / AFP )
15:05 · 10.10.2017 / atualizado às 15:25 por Folhapress
O líder separatista catalão, Carles Puigdemont, pediu, nesta terça-feira (10), mediação internacional e diálogo com o governo espanhol. Ele discursou durante sessão do Parlamento regional, onde afirmou ter recebido "o mandato do povo para que a Catalunha vire um Estado independente em forma de república". Mas pediu, em seguida, que legisladores suspendessem a separação.

A manobra, no entanto, parece ter apenas adiado o caos institucional na Espanha. Não está claro quais serão os próximos passos do governo regional por sua separação. "Não somos uns delinquentes. Não somos uns loucos. Não somos uns golpistas. Somos gente normal que esteve disposta a todo o diálogo necessário", Puigdemont disse ao Parlamento catalão.
 
Os corredores da Casa estavam abarrotados com centenas de repórteres, que improvisavam suas redações em pequenos gabinetes para acompanhar as declarações. O país e a comunidade internacional aguardam agora, ansiosos, a reação do Estado espanhol. O premiê conservador, Mariano Rajoy, pode utilizar o Artigo 155 para suspender a autonomia parcial já existente na Catalunha e convocar eleições nessa região. Ele pode também pedir a detenção de Puigdemont.
 
Não existe nenhum cenário aparente em que esse conflito se dissipe com facilidade. Caso não reaja, Rajoy arrisca fortalecer o movimento separatista. Se utilizar a força, alimentará também os separatistas -que terão a prova do argumento de que são reprimidos por Madri.
 
Mesmo acionando o Artigo 155, Rajoy não tem garantias de estabilidade. Partidos separatistas catalães já anunciaram seu boicote a eventuais eleições antecipadas.
 
Antes de sua fala, uma hora mais tarde do que o previsto devido a reuniões de emergência, o presidente catalão havia se sentado na sala parlamentar mordiscando uma das pernas de seu óculos. Um sino convocava os legisladores. Do lado de fora, ativistas se aglomeravam em torno do edifício, localizado no histórico parque da Cidadela, para apoiar o governo regional. Agricultores estacionaram tratores nas imediações.
 
No primeiro dia deste mês, a Catalunha realizou um referendo separatista da Espanha para se tornar uma República. Cerca de 43% compareceram para votar o referendo. Destes, 90% afirmaram querer a serpação do país e a formação de uma república. O governo de Madri considerou a votação ilegal desde o primeiro momento que a região anunciou sua intenção.
 
Deixada de Lado
 
Para o presidente regional da Catalunha, "o modo como a cultura catalã foi deixada de lado ao longo da história teve um grande impacto nos catalães" - o que levou a muitos a concluir que a única forma de manter essa cultura é a independência da Catalunha. 
 
Antes de recuar e pedir diálogo com o governo espanhol, Carles Puigdemont relatou que a grande maioria dos deputados iria aprovar a proposta de autonomia. Ele ressaltou, ainda, que "o governo catalão não se desviaria de seu compromisso social e econômico, da democracia, da tolerância".  Ele disse que não queria ver a separação da Catalunha como um momento de partida para o país, e sim como um ponto de chegada.
 

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