desabamento da rodovia

Itália busca responsáveis por tragédia em Gênova

O governo deseja revogar o contrato de concessão à empresa Autostrade, responsável pelo trecho em que ficava a ponte que desabou

As equipes de emergência, com a ajuda de gruas e escavadeiras, continuam retirando os escombros do local da tragédia ( Foto: Piero Cruciatti / AFP )
09:06 · 16.08.2018 / atualizado às 09:47 · 17.08.2018 por AFP

O governo italiano declarou guerra à empresa que administra a rodovia em que uma ponte desabou na quarta-feira (14) na cidade de Gênova, ao mesmo tempo que o grupo tenta se defender, mas vê suas ações em queda na Bolsa.

As equipes de emergência, com a ajuda de gruas e escavadeiras, continuam retirando os escombros do local da tragédia.

"Esta noite não encontramos ninguém", afirmou Emanuele Gissi, um dos comandantes do corpo de bombeiros da região. "Continuamos procurando cavidades que poderiam abrigar pessoas, vivas ou não", completou.

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, anunciou que o balanço provisório de mortos foi revisado e caiu de 39 para 38, além de 16 pessoas feridas, nove delas em estado grave.

A Itália respeitará no sábado um dia de luto nacional, data dos funerais solenes em Gênova.

Na quarta-feira à noite, ao final de uma reunião extraordinária do ministério em Gênova, Giuseppe Conte decretou estado de emergência na cidade por 12 meses e estabeleceu um fundo de cinco milhões de euros, o que permitirá ajudar as mais de 630 pessoas que viram suas casas, localizadas embaixo da ponte, condenadas pelas autoridades.

Revogar a concessão

O governo também deseja revogar o contrato de concessão à empresa Autostrade no trecho em que ficava a ponte. Vários ministros exigiram uma revisão de todas as concessões do grupo.

"Não podemos esperar a justiça penal. A Autostrade tinha o dever e a obrigação, o compromisso, de garantir a manutenção deste viaduto e a segurança de todos os que transitavam por ele", declarou Conte.

O grupo Atlantia, controlado pela família Benetton, que controla a Autostrade per l'Italia, respondeu que o anúncio do governo foi feito "na ausência de qualquer objeção específica e de qualquer certeza sobre as causas efetivas" do desabamento.

As ações da Atlantia operavam em queda de quase 25% durante a sessão na Bolsa de Milão.

A Autostrade per l'Italia afirmou na quarta-feira que tem confiança e poder "demostrar que sempre respeitou corretamente suas obrigações de concessionária" e acrescentou que "não é possível no momento formular hipóteses sobre as causas do desabamento do viaduto".

De acordo com fontes do setor financeiro entrevistadas pela imprensa italiana, o Estado poderia ser obrigado a pagar bilhões de euros de compensação pela revogação do contrato de concessão.

A empresa afirmou que trabalha "com afinco" na reconstrução da ponte, uma obra que deve terminar em "cinco meses", assim que o local for liberado após as operações de busca.

No local do desabamento, o trabalho de busca é perigoso porque os "escombros são instáveis, assim como parte da ponte ainda de pé", afirmou Emanuele Gissi.

A prefeitura recebeu vários alertas de pessoas desaparecidas, "mas é difícil saber se alguém não atende o telefone porque já está de férias em outro lugar do mundo ou porque, infelizmente, está embaixo da ponte", afirmou na quarta-feira o ministro do Interior, Matteo Salvini.

"O que é correto é que aqueles que estão procurando nos dizem que ainda há outras pessoas nos escombros", completou.

Acima das equipes de resgate, o motor do caminhão verde parado à beira do precipício ainda está ligado e se tornou um símbolo do pânico provocado pela tragédia

O motorista do veículo, em estado de choque, não desligou o caminhão antes de fugir e, segundo seu patrão, o caminhão tem bastante combustível para permanecer com o motor em funcionamento por vários dias, com os faróis e para-brisas ligados.

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