Inovação

'Hotéis cápsula' para a peregrinação a Meca

Os quartos serão gratuitos e 20, apelidados de "cápsulas de sesta", serão instalados na cidade de Mina (oeste), limítrofe com Meca

13:47 · 18.08.2018 / atualizado às 12:05 · 19.08.2018 por Agence France-Presse
Hotel cápsula Meca
As cabines tem 2,64 m² e 1,2 metro de altura e são fabricadas em fibra de vidro para proteger do sol. ( Foto: ABMAEL SOARES, AKIM REZGUI / AFPTV / AFP )

Cabines minúsculas com ar condicionado, colchão e lençóis, que lembram os "hotéis cápsula" japoneses, permitirão que os fiéis façam a sesta e fiquem como novos durante a peregrinação a Meca.

>>>Dois milhões de muçulmanos começam peregrinação anual à Meca

Dois milhões de muçulmanos realizarão a partir de domingo a grande peregrinação anual à Meca. Os rituais se prolongarão até sexta-feira em meio a temperaturas de mais de 40ºC.

Para facilitar a peregrinação dos que não podem pagar por um quarto de hotel, uma associação de caridade decidiu, em colaboração com as autoridades sauditas, instalar este ano cerca de 20 "cápsulas de sesta" na cidade de Mina (oeste), limítrofe com Meca.

Esses peculiares "quartos" serão gratuitos e representam uma "solução econômica" para os peregrinos, assegura à AFP Mansur al-Amer, diretor da Haji and Mutamer Gift Charitable Association.

As cabines de 2,64 m2 e 1,2 metro de altura, foram fabricadas em fibra de vidro para proteger do sol e podem ser colocadas umas sobre as outras para economizar espaço. 

O usuário pode regular a temperatura do interior, onde dispõe de um espelho e uma tomada para carregar o celular.

Os peregrinos poderão descansar nelas durante três horas e os serviços de limpeza aproveitarão o horário de oração (cinco vezes ao dia) para trocar os lençóis e esterilizar as cabines, explica Amer.

Economia colaborativa

"Esta ideia já está estendida em vários países, como o Japão. Achamos que se adapta perfeitamente aos lugares muito concorridos como a Meca", comenta Amer.

"As cápsulas fazem parte da economia colaborativa, como as bicicletas alugadas por uma hora", argumenta.

Doze cabines como essas foram testadas com sucesso perto de Meca durante o Ramadã, o mês do jejum dos muçulmanos, com 60 pessoas por dia, afirma Amer.

Como todos os fiéis devem realizar o haje ao menos uma vez na vida se dispuserem de meios econômicos para fazê-lo, a chegada de centenas de milhares de pessoas supõe um desafio logístico considerável.

Este ano, as autoridades sauditas lançaram uma iniciativa chamada "smart hajj" (haje inteligente) com aplicativos para ajudar os peregrinos a se orientar, ou obter atendimento médico urgente do Crescente Vermelho saudita.

O aplicativo também permite localizar os peregrinos se estes se perderem.

O Ministério da Peregrinação administra também o aplicativo "Manasikana" com traduções ao árabe.

A peregrinação de 2018 ocorre em um contexto de modernização na Arábia Saudita, um dos países mais conservadores do mundo. Desde junho as mulheres podem dirigir, uma mudança promovida pelo príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, considerado reformista.

Mas, ao mesmo tempo, o reino sunita usa mão de ferro para calar as vozes dissidentes. Prova disso foi a detenção nas últimas semanas de uma dezena de ativistas defensores dos direitos humanos, alguns dos quais foram libertados.

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