Prisão dos separatistas

Ex-presidente da Catalunha é detido na Alemanha

Carles Puigdemont foi acusado de rebelião pela Justiça espanhola e alvo de uma ordem de prisão europeia

14:10 · 25.03.2018 por AFP
Carles Puigdemont
Carles Puigdemont foi destituído do cargo de presidente da Catalunha após a frustrada declaração de independência de 27 de outubro ( Foto: AFP )

Acusado de rebelião pela Justiça espanhola e alvo de uma ordem de prisão europeia, o ex-presidente separatista catalão Carles Puigdemont foi detido neste domingo (25) na Alemanha, quando cruzava de carro a fronteira da Dinamarca.

"Foi preso às 11h19 (6h19 de Brasília) por uma patrulha da polícia de trânsito em Schleswig-Holstein", um estado do norte da Alemanha, indicou o porta-voz, explicando que a prisão responde a uma ordem europeia.

"Agora está sob custódia policial", acrescentou. A detenção foi confirmada pela porta-voz do Juntos pela Catalunha, a coalizão de Puigdemont.

Na segunda-feira (26), Puigdemont se apresentará a um juiz que deverá confirmar sua identidade - informou a Procuradoria alemã de Schleswig. "Esse comparecimento tem por objeto unicamente verificar a identidade da pessoa detida. O tribunal regional de Schleswig-Holstein em Schleswig deverá decidir depois, se Puigdemont deve ser detido, visando a uma entrega" para a Espanha, disse a Procuradoria em um comunicado.

Na sexta-feira, o juiz espanhol que instrui a causa contra a cúpula separatista catalã, Pablo Llarena, confirmou a acusação de "rebelião" contra 13 responsáveis, entre eles Puigdemont.

O ex-presidente estava na Finlândia quando o juiz reativou a ordem de captura, mas deixou este país na sexta antes que a Polícia pudesse começar a busca oficialmente.

Puigdemont foi destituído do cargo pelo governo de Madri após a frustrada declaração de independência de 27 de outubro. Depois, exilou-se voluntariamente na Bélgica, onde vive desde então, embora tenha viajado para vários países.

A tentativa de criar uma república separada da Espanha acabou com a perda temporária de autonomia da Catalunha, atualmente controlada de maneira direta pelo governo espanhol.

Manifestações

Os separatistas catalães preparavam várias manifestações em Barcelona para a tarde deste domingo, logo depois de saberem da prisão na Alemanha.

Além disso, os chamados Comitês de Defesa da República, grupos autônomos de separatistas radicais, convocaram protestos para as 16h locais (11h de Brasília) nas Ramblas de Barcelona e, três horas depois, diante da delegação do governo espanhol. Lá, houve confrontos entre manifestantes e policiais na sexta-feira.

Na tarde deste domingo, já era possível ver milhares de pessoas protestando em Barcelona com bandeiras da Catalunha. Os manifestantes se encaminhavam para a sede da Comissão Europeia na cidade catalã.

Os presentes gritavam "liberdade para os presos políticos" e "Puigdemont, nosso presidente". Em frente à representação da Comissão, diziam: "esta Europa é uma vergonha".

No âmbito político, o Parlamento catalão suspendeu no sábado a posse de um novo presidente regional por conta da prisão do candidato independentista Jordi Turull, mais um atingido pelo duro golpe judicial contra a cúpula separatista, que afunda a Catalunha em um novo bloqueio político.

A intervenção do governo central de Madri na Catalunha continuará até que os separatistas - maioria parlamentar nas eleições regionais de 21 de dezembro - escolham um presidente, e este forme um governo. Se não conseguirem isso até 22 de maio, a região deverá realizar novas eleições.

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