Encontro em Brasília

EUA defendem que Brasil lidere solução para Venezuela

A crise política, econômica e humanitária no país do ditador Nicolás Maduro já levou mais de 1 milhão de pessoas a emigrarem nos últimos 20 meses

23:00 · 13.08.2018 por Folhapress
James Mattis
James Mattis se encontrou com Joaquim Silva e Luna em Brasília ( Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil )

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, James Mattis, defendeu nesta segunda-feira (13) que o Brasil encabece a negociação de uma solução para a crise na Venezuela, relatou o ministro Joaquim Silva e Luna, com quem o americano se encontrou em Brasília na primeira parada de sua visita à região.

"A colocação dos EUA neste aspecto é muito prudente: consideram que a solução deve ser liderada pelo Brasil e pergunta sempre como pode ajudar. Troca-se ideias, maneiras de fazer, como construir uma solução para tirar o país [Venezuela] da dificuldade que passa", disse Silva e Luna.

Mattis, que também se reuniu com o chanceler Aloysio Nunes, não deu declarações à imprensa. No passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a debater com assessores a possibilidade de uma intervenção militar na Venezuela.

A crise política, econômica e humanitária no país do ditador Nicolás Maduro já levou mais de 1 milhão de pessoas a emigrarem nos últimos 20 meses, o que fez a Colômbia, na semana passada, solicitar à ONU a designação de um enviado especial à região.

Durante a reunião no Ministério da Defesa, porém, Mattis ouviu do governo brasileiro que eles não identificam uma solução de curto prazo para a crise. A avaliação dos militares, transmitida ao governo americano, é que o problema do país vizinho é político.

Brasília e outros governos da região têm exercido pressão diplomática, por meio da suspensão de Caracas de fóruns regionais como o Mercosul, mas se opõem a sanções ou medidas mais duras, mantendo a posição tradicional da política externa brasileira.

De Brasília, Mattis seguirá para o Rio e depois para a Argentina, o Chile e a Colômbia. Ele é o segundo integrante do alto escalão do governo Trump a vir ao Brasil –o primeiro foi o vice-presidente, Mike Pence, cuja visita em junho também se concentrou na questão venezuelana.

Além de Caracas, Silva e Luna afirmou que foram debatidos com o chefe do Pentágono pontos do acordo de salvaguarda tecnológica com os EUA, que Brasília tenta fechar há meses para poder alugar aos americanos a base de lançamento de foguetes em Alcântara (MA), o que poderia render uma receita anual de US$ 1,5 bilhão (R$ 5,8 bilhões).

Segundo o ministro, avançou-se um pouco no debate –ele não deu detalhes. "O secretário da Defesa se comprometeu a, no mais curto prazo, ajustarmos os detalhes, que são palavras, para que isso ficasse de acordo com nossos interesses e fosse entendido pelo país inteiro", afirmou.

Os dois países também tratam de cooperação na defesa. O Brasil, com o A-29 Super Tucano da Embraer, é finalista na licitação para a venda de até 150 aeronaves a serem usadas em missões no Oriente Médio.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.