crise migratória

Espanha receberá barco com 629 migrantes rejeitado por Itália e Malta

O governo de Pedro Sánchez afirmou que a decisão de aceitar os migrantes visa evitar uma catástrofe humanitária

Desde o resgate dos migrantes, na noite de sábado (9), o barco busca um porto seguro para desembarcar ( Foto: KARPOV / SOS MEDITERRANEE / AFP )
12:58 · 11.06.2018 / atualizado às 13:11 por FolhaPress
Os 629 migrantes foram resgatados no sábado (9), entre eles há sete mulheres grávidas, 11 crianças pequenas e 123 menores de idade sem responsáveis ( Foto: KARPOV / SOS MEDITERRANEE / AFP )

A Espanha receberá o barco Aquarius com 629 migrantes, atualmente em águas do Mediterrâneo, depois que Itália e Malta se negaram a acolhê-lo, anunciou nesta segunda-feira (11) o governo de Pedro Sánchez, afirmando que a decisão pretende evitar uma catástrofe humanitária.

"É nossa obrigação ajudar a evitar uma catástrofe humanitária e oferecer 'um porto seguro para essas pessoas", disse o comunicado do governo.

A nota diz ainda que o porto escolhido por Sánchez para a recepção do barco é o de Valencia, no leste do país.

O Aquarius, fretado pela ONG SOS Méditerranée, resgatou no sábado (9) 629 migrantes, incluindo sete mulheres grávidas, 11 crianças pequenas e 123 menores de idade sem responsáveis, mas a embarcação está em 'stand-by' no mar, perto de Itália e Malta, que se negam a dar acesso a qualquer porto. 

Em um comunicado, o Acnur - braço da ONU para refugiados - fez um "apelo aos governos envolvidos para permitir o desembarque imediato de centenas de pessoas retidas no Mediterrâneo desde sábado a bordo de um barco de resgate, o Aquarius", e acrescentou que as "pessoas na embarcação estão ficando sem mantimentos".

Malta reiterou neste domingo (10) sua recusa a receber o barco, apesar do pedido da Itália, que também se mostra decidida a não permitir a entrada em nenhum de seus portos

O ministro do Interior italiano e chefe do partido de extrema direita A Liga, Matteo Salvini, confirmou nesta segunda-feira (11) que não tinha intenção de voltar atrás.

"Salvar vidas é um dever, transformar a Itália em um campo de refugiados, não, a Itália deixou de abaixar a cabeça e obedecer, desta vez TEM ALGUÉM QUE DIZ NÃO", escreveu Salvini em uma rede social com a hashtag #chiudiamoiporti (fechamososportos).

O ministro também reagiu à chegada pela manhã, em frente ao litoral da Líbia, de outro barco fretado por uma ONG alemã, a Sea Watch. "Associação alemã, barco holandês, Malta que não se move, França que rejeita e Europa que faz a mesma coisa, chega", disse Salvini.

Vários portos italianos, no entanto, expressaram sua disposição de acolher o Aquarius.

"Se um ministro sem coração deixa morrer no mar mulheres grávidas, crianças, idosos, seres humanos, o porto de Nápoles está pronto para recebê-los", afirmou o prefeito dessa cidade do sul da Itália, Luigi de Magistris.

O premiê italiano, Giuseppe Conte, anunciou que foram enviados dois barcos de patrulha com medicamentos e prontos a atender às necessidades das pessoas à bordo.

É a primeira vez desde a chegada ao poder da coalizão entre A Liga e o Movimento Cinco Estrelas (M5S, antissistema) que a Itália bloqueia seus portos.

Salvini fez campanha antes das eleições em março prometendo o fechamento das fronteiras aos migrantes.

Desde o resgate dos migrantes, na noite de sábado, o barco fretado pela ONG SOS Méditerranée busca um porto seguro para desembarcar.

Vincent Cochetel, enviado especial da agência da ONU para o Mediterrâneo central disse que "as pessoas a bordo estão angustiadas, faltam provisões e precisam de ajuda rapidamente".

A Comissão Europeia, braço Executivo da União Europeia, também pediu nesta segunda-feira uma "solução rápida" para o caso.

Por sua parte, a Alemanha expressou "preocupação com a situação e pediu às partes envolvidas que assumam sua responsabilidade humanitária", disse o porta-voz do governo Angela Merkel, Steffen Seibert.

A Itália, que em 2013 viu desembarcar em seu litoral cerca de 700.000 migrantes, sente que durante a crise migratória a deixaram sozinha na condução da situação sem qualquer ajuda de seus sócios da União Europeia.

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