América central

Onda de violência na Nicarágua faz vítima brasileira

Médica pernambucana morava há seis anos na capital Manágua, onde foi morta dentro de um carro, alvo de disparos

00:00 · 25.07.2018
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Natural da Zona da Mata, Raynéia Gabrielle Lima, 30, contou, na última ligação para sua mãe, que estava muito perigoso sair na rua ( FOTO: REPRODUÇÃO DO FACEBOOK )

Jinotega. Uma médica e estudante universitária pernambucana foi morta a tiros, em Manágua, capital da Nicarágua.

O Itamaraty chamou, para consultas, o embaixador brasileiro na Nicarágua, Luís Cláudio Villafañe Gomes Santos, enquanto a embaixadora da Nicarágua no Brasil, Lorena Del Carmen, também foi convocada para prestar esclarecimentos.

O país caribenho vive uma onda de protestos desde abril, quando a população rejeitou uma proposta de Reforma da Previdência que depois foi abandonada pelo governo.

Raynéia Gabrielle Lima, de 30 anos, morava há seis anos na Nicarágua e fazia residência em um hospital. Ela era natural de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata pernambucana. Mãe de Raynéia, a aposentada Maria Costa disse ter falado pela última vez com a filha na segunda. "Ela me disse que estava indo para o plantão e me dizia sempre que lá estava muito perigoso, que ninguém estava saindo na rua", citou Maria Costa ao G1.

A família tenta organizar o transporte do corpo da brasileira para Pernambuco. Não há ainda prazo para que o corpo da estudante seja liberado e possa ser trazido para o Brasil.

Crime

O crime aconteceu no complexo residencial Lomas de Monserrat, onde, segundo testemunhas, paramilitares teriam atirado contra seu carro. A estudante foi levada pelo namorado para o hospital, mas ela faleceu nas primeiras horas da manhã. Uma bala perfurou o fígado, e a jovem morreu quando era atendida no Hospital Militar em Manágua.

A polícia da Nicarágua negou que paramilitares tenham assassinado a pernambucana.

"Um guarda de vigilância privada, em circunstâncias ainda não determinadas, efetuou disparos com arma de fogo, um dos quais atingiu (Raynéia), provocando-lhe ferimentos", segundo um comunicado da Polícia.

Itamaraty

O governo brasileiro reagiu por meio de nota do Itamaraty, expressando sua "profunda indignação e condenação à trágica morte". Também exigiu que se façam os esforços necessários para identificar e punir os responsáveis deste "ato criminoso".

"O governo brasileiro torna a condenar o aprofundamento da repressão, o uso desproporcional e letal da força e o emprego de grupos paramilitares em operações coordenadas pelas equipes de segurança", acrescentou.

O teólogo brasileiro Leonardo Boff, expoente da Teologia da Libertação, pediu que as forças de repressão do governo "parem de matar", em uma carta de apoio aos bispos desse país, duramente criticados por Ortega.

A onda de violência já deixou quase 300 mortos em três meses. Outras quatro pessoas morreram em Jinotega (norte de Manágua), em uma operação da Polícia e paramilitares entre a noite de segunda e terça, citou o Centro de Direitos Humanos.

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