Na Nicarágua

Ofensiva de Ortega contra protestos deixa 10 mortos

Seis das vítimas são civis, entre elas duas menores, e quatro, policiais do Batalhão de Choque

00:00 · 16.07.2018
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População da cidade de Masaya enfrenta os ataques policiais e dos paramilitares "com pedras e bombas caseiras" e, por meio de barricadas ( Foto: Agência France Presse )

Masaya. Uma violenta incursão de forças policiais e paramilitares a vários povoados no sul da Nicarágua deixou pelo menos dez mortos e cerca de 20 feridos, em meio à ofensiva do presidente Daniel Ortega contra a onda de protestos que sacode o país.

Seis dos mortos são civis, entre eles dois menores, e quatro, policiais do Batalhão de Choque, segundo o relatório preliminar da Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPDH).

Ataque

O ataque aconteceu na cidade de Masaya, 30 quilômetros ao sul de Manágua, nas comunidades vizinhas de Niquinohomo, Catarina e no bairro de Monimbó. "Este é um informe preliminar. Ainda está em processo de investigação dos nomes e idades dos mortos", disse à imprensa o presidente da ANPDH, Alvaro Leiva. De acordo com Leiva, pediu-se às autoridades que abram uma via para retirar os feridos, o que não foi autorizado. "Há franco-atiradores localizados em diferentes partes da cidade. Pedimos à população para se proteger em suas casas", relatou Leiva.

O carro que transportava o bispo Abelardo Mata para Masaya foi atacado a tiros por paramilitares ligados ao governo, mas o religioso está "fora de perigo", informou a Igreja.

O bispo Abelardo Mata, um dos cinco líderes católicos que mediam o diálogo entre o governo e a oposição, "foi interceptado por paramilitares, que atiraram em seu carro, quebraram os vidros e tentaram queimá-lo", revelou seu assistente Roberto Petray. O arcebispo auxiliar de Manágua, Silvio Báez, disse no Twitter que conversou com Mata e que "graças a Deus está bem e fora de perigo". O ataque ocorreu na altura do município de Nindirí, no departamento de Masaya, por onde o bispo Mata - um forte crítico do governo - passa todos os domingos e na mesma hora, denunciou Petray.

Masaya como alvo

"Vão destruir Masaya, está absolutamente cercada", disse a presidente do Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh), Vilma Núñez. A população do bairro de Monimbó, no sul de Masaya, resiste aos ataques da polícia de choque e de paramilitares "com pedras e bombas caseiras", afirmou um morador da região. "A Polícia Nacional e parapoliciais encapuzados e armados com AK-47s e metralhadoras estão atacando nosso bairro indígena de Monimbó", disse Álvaro Gómez, morador do bairro.

"A situação é grave e precisamos abrir um corredor para evacuar os feridos", disse Álvaro Leiva. Leiva lançou um pedido de socorro aos bispos da Conferência Episcopal, ao Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos e também à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

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