Acusado de corrupção

Nicolas Sarkozy nega irregularidades e diz que sua vida virou um inferno

Ex-líder francês (à direita) reclama de julgamento sem prova, atribuindo a motivação da denúncia à vingança de pessoas ligadas ao ex-ditador líbio (à esquerda) ( Foto: AFP )
00:00 · 23.03.2018

Paris. O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy negou as acusações de que teria recebido ilegalmente dinheiro da Líbia para sua campanha presidencial e disse que o caso transformou sua vida em um inferno. As declarações foram dadas ontem aos juízes que investigam as denúncias.

Os advogados de Sarkozy não quiseram comentar as afirmações. O ex-presidente de 63 anos é acusado de ter recebido 50 milhões de euros (R$ 202 milhões) do ex-ditador líbio Muammar Gaddafi (1942-2011) para a sua campanha vitoriosa em 2007.

Como presidente, foi Sarkozy quem autorizou o bombardeio que ajudou a derrubar o ditador em 2011, durante a Primavera Árabe. Logo após o início da operação militar, um dos filhos de Gaddafi deu uma entrevista na qual afirmou que o pai tinha financiado a campanha do francês. Por isso, Sarkozy diz que a acusação é uma vingança de pessoas próximas ao ex-ditador, que acabou morto no fim de 2011. "Esta calúnia fez da minha vida um inferno desde 11 de março de 2011", disse ele, com a data em que começou o bombardeio na Líbia. "Estou sendo acusado sem uma prova física".

Investigação

O caso, investigado desde 2013, chegou ao ápice na terça, quando o ex-presidente foi detido e levado para interrogatório. O depoimento continuou na quarta e, ao fim do dia, ele foi formalmente indiciado por corrupção passiva, financiamento ilegal de campanha e recebimento de dinheiro desviado dos cofres públicos líbios. Ele responderá ao processo em liberdade.

Para Sarkozy, a revelação do caso custou sua reeleição em 2012, quando perdeu para o socialista François Hollande.

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