Drama Migratório

Mulher passa 48h à deriva no mar

00:00 · 18.07.2018

Joms/Madri/Roma. Equipes de resgate da ONG espanhola Proactiva Open Arms descobriram no mar uma mulher que conseguiu sobreviver ao naufrágio de um bote ao ficar agarrada a dois mortos, outra mulher e uma criança. A ONG estava patrulhando o litoral da Líbia, de onde parte a maioria dos migrantes com destino à Europa, quando fez a macabra descoberta.

A mulher, uma camaronesa de 40 anos, flutuava agarrada aos restos do barco e junto aos corpos dos dois migrantes que não conseguiram sobreviver.

Ela foi atendida pelos médicos com sintomas de hipotermia e trauma emocional.

A Guarda Costeira da Líbia, encarregada de patrulhar a região, indicou que 158 pessoas foram resgatadas a 16 milhas náuticas de Joms, relativamente distante da área onde a náufraga foi encontrada.

Os dois corpos já se encontravam em estado de decomposição. Dois barcos da ONG espanhola retornaram, ontem, à costa da Líbia, após várias semanas de ausência devido às dificuldades para desembarcar os migrantes que resgatam devido à linha dura adotada por Itália e Malta, que se negam a recebê-los.

O ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, líder da direitista Liga, advertiu que continuará com sua linha dura.

O caso gerou um verdadeiro confronto entre a organização humanitária espanhola e o ministro italiano, acusado de aplicar uma política desumana.

Situação de brasileiros

A tragédia migratória mundial também tem atingido com força o continente americano. Ontem, o ministro dos Direitos Humanos, Gustavo do Vale Rocha, visitou, em Nova York, a única criança brasileira que está sozinha em um abrigo norte-americano.

É um menino de 8 anos, que foi separado dos pais que tentavam entrar nos Estados Unidos e foram considerados imigrantes ilegais. Para o ministro, o fato de a criança não conviver com outros brasileiros aumenta ainda mais o risco de vulnerabilidade.

Segundo Rocha, o importante é verificar de perto como está o menino, que não tem com quem falar português.

De acordo com balanço divulgado segunda-feira (16) pelo Ministério das Relações Exteriores, há ainda 40 crianças e adolescentes brasileiros separados dos pais em território americano.

Hoje, Gustavo Rocha tem reuniões na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), vinculada à Organização dos Estados Americanos (OEA).

O ministro deve se encontrar também com o secretário-geral da OEA, Luís Almagro.

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