Após receber alta

Meninos presos em caverna contam caso de sobrevivência

Time Javalis Selvagens concedeu a primeira coletiva após o resgate; parentes são orientados a evitar os jornalistas

00:00 · 19.07.2018
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Usando uma camiseta com o desenho de mascote, em referência ao nome da equipe de futebol, os adolescentes se apresentaram de forma individual, depois de terem improvisado passes com uma bola ( FOTO: AG. FRANCE PRESSE )
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Chiang Rai. Após receber alta do hospital em que estavam internados desde que foram resgatados, os 12 meninos e seu técnico de futebol concederam entrevista coletiva, ontem, e deram detalhes sobre o período de 18 dias em que ficaram presos em uma caverna no norte da Tailândia. Sorrindo e vestindo a camiseta do seu time de futebol, o Javalis Selvagens, os garotos agradeceram a equipe de resgate e os médicos.

O técnico, Ekkapol Chanthawong, respondeu a maioria das perguntas, que foram enviadas com antecedência para que os médicos pudessem vetar questões. O treinador disse que o grupo tentou achar um modo de deixar o local. "Nós escavávamos buracos para tentar achar um modo de escapar e parávamos quando ficávamos cansados. Bebíamos água para encher a barriga", disse ele. O buraco, segundo um dos meninos, chegou a quatro metros.

Ekkapol afirmou ainda que o grupo jogava dama para passar o tempo. Segundo ele, o clima dentro da caverna ficou animado e tranquilo após a chegada do resgate, mas que antes eles estavam muito tensos.

Ele disse que a ideia de entrar na caverna foi tomada coletivamente e que eles nunca tinham visitado o local. O plano, conforme explicou, era passar cerca de uma hora no passeio e depois voltar para casa. Por isso, não levaram comida ou mantimentos e muitos nem mesmo avisaram os familiares do passeio.

Desculpas

Todos os garotos pediram desculpas aos pais durante a entrevista. Um dos meninos disse que evitava pensar em comida quando estava com fome.

Eles explicaram que assistiram à final da Copa do Mundo de futebol no hospital e vários disseram que esperam se tornar jogadores profissionais.

Os especialistas advertiram que os jogadores e seu treinador poderão sofrer transtornos em longo prazo, devido à intensa experiência vivida na caverna de Tham Luang. Os médicos avisaram às famílias que deverão evitar que falem com jornalistas durante ao menos um mês após o retorno dos meninos para casa.

A recomendação dos médicos talvez seja difícil de se cumprir, porém, diante do interesse suscitado pela história dos garotos, inclusive de Hollywood.

Ao final da coletiva, eles se ajoelharam diante do retrato do rei da Tailândia, Rama X.

Pedido de desculpa

Já fundador da SpaceX e diretor-executivo da Tesla, Elon Musk, pediu desculpas, ontem, ao espeleólogo britânico Vernon Unsworth que participou do resgate, após tê-lo chamado de "pedófilo". O bilionário americano atacou Unsworth depois que ele classificou de manobra publicitária a oferta de Musk de enviar um minissubmarino para retirar os meninos da caverna inundada. As ações da Tesla caíram na Bolsa. Depois, Musk apagou os tuítes ofensivos.

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