Peregrinação

Meca começa a receber 2 milhões de muçulmanos

Concentração de fiéis mais importante do Islã está ficando cada vez mais tecnológico com a adoção de aplicativos

00:00 · 20.08.2018
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Em sua chegada a Meca, o peregrino deve dar sete voltas em torno da Kaaba, uma construção cúbica em torno da qual se construiu a Grande Mesquita ( FOTO: AFP )

Meca. Sob um sol forte, mais de dois milhões de muçulmanos começaram, ontem, a peregrinação anual a Meca, em uma Arábia Saudita em plena transformação. A concentração de multidões representa um desafio logístico para as autoridades.

O "hajj" (peregrinação) é um dos cinco pilares do Islã de cumprimento obrigatório para todos os muçulmanos ao menos uma vez na vida, sempre que disponham de meios para fazê-lo.

Até 2030, a Arábia Saudita espera receber cerca de 30 milhões de peregrinos por ano.

"Vir aqui é o sonho de todo o muçulmano", é "a última viagem", declarou Soliman Ben Mohri, um comerciante de 53 anos que mora na França.

O fervor é tanto que alguns peregrinos acabam esquecendo dos 40ºC. "Oh Alá, aqui estou diante de ti", repetem grupos de fiéis, pedindo clemência a Deus.

Os peregrinos chegam a Meca, na parte oeste do reino, saídos de todo mundo, especialmente de Egito, Índia, Paquistão, Bangladesh e Sudão, detalham as autoridades, segundo as quais já são mais de dois milhões, em sua maioria estrangeiros. Ontem, os fiéis foram a um vale de Mina, onde pernoitaram antes de se dirigirem ao Monte Arafat, momento culminante da peregrinação. É onde, segundo a tradição islâmica, o profeta Maomé pronunciou seu último sermão. Neste local, os peregrinos passam o dia rezando e pedindo clemência a Alá.

A peregrinação termina com o Eid al-Adha, também conhecido como Festa do Sacrifício, que dura três dias e é seguido pelo ritual da "lapidação de Satanás".

Com o passar dos anos, o "hajj" foi adquirindo um aspecto cada vez mais tecnológico, com diversos aplicativos de celular para ajudar os fiéis a compreender as instruções, se orientar, ou obter atendimento urgente do Crescente Vermelho saudita.

Além disso, uma brigada de tradutores ajuda os fiéis que não falam árabe. As autoridades também melhoraram a segurança para evitar incidentes como os dos últimos anos. Em 2015, a peregrinação ficou de luto por uma gigantesca explosão, na qual morreram 2.300 pessoas, entre elas centenas de iranianos.

Iêmen e Catar

O "hajj" de 2018 ocorre em um momento no qual a Arábia Saudita, um país ultraconservador, encontra-se em plena transformação, com uma série de reformas que, por exemplo, permitiram que as mulheres dirijam. No entanto, ao mesmo tempo, as autoridades calam os dissidentes.

O príncipe herdeiro Mohamed Bin Salman, filho do rei e impulsionador das reformas, assegura que quer "voltar a um Islã moderado e tolerante", o que não o impede de multiplicar as prisões de defensores dos direitos humanos e clérigos críticos.

A peregrinação também coincide com uma guerra no Iêmen, onde a Arábia combate os rebeldes xiitas, apoiados pelo Irã, rival regional de Riad.

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