'limpeza étnica' EM MIANMAR

Mais de 300 mil rohingyas fugiram para Bangladesh

00:00 · 12.09.2017

Naypyidaw/Daca. O número de muçulmanos rohingyas que se refugiaram em Bangladesh para fugir da violência em Mianmar superou a barreira de 300 mil em pouco mais de duas semanas, anunciou a ONU, que denunciou "exemplo clássico de limpeza étnica".

Neste contexto, o Dalai Lama em pessoa pediu à líder de fato de Mianmar, a prêmio Nobel da Paz Aung Sang Suu Kyi, que encontre uma solução pacífica para a crise dos rohingyas, uma minoria muçulmana apátrida, vive décadas de perseguição.

"Calculamos em 313.000 o número de rohingyas que entraram em Bangladesh desde 25 de agosto", afirmou Joseph Tripura, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

O fluxo de rohingyas fugindo a pé, enfrentando lama e chuva, parece ter diminuído nos últimos dias, após um pico na semana passada. Mas o Bangladesh enfrenta uma crise humanitárias, com campos de refugiados superlotados. Os rohingyas, tratados como estrangeiros em Mianmar, país onde mais de 90% da população se declara budista, são considerados apátridas, apesar da presença de algumas famílias há várias gerações.

Os ataques violentos dos rebeldes rohingyas contra postos policiais no fim de agosto provocaram uma nova onda de repressão do exército birmanês, que resultou na fuga de centenas de milhares de pessoas, além de ao menos 500 mortos, de acordo com os militares. A ONU evoca o dobro de vítimas fatais, vilarejos incendiados e abusos.

No domingo, os combatentes rebeldes rohingyas declararam uma trégua unilateral de um mês. O grupo armado pediu a "todos os atores humanitários" que retomem a ajuda às vítimas desta crise e ao governo de Mianmar que respeite a trégua.

A primeira resposta do governo birmanês, no entanto, não foi positiva. "Não negociamos com terroristas", afirmou Zaw Htay, conselheiro de Mianmar.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU criou em 24 de março uma missão internacional independente para investigar a violência contra a minoria muçulmana, mas Mianmar não autorizou a viagem dos especialistas à região. "Como Mianmar rejeitou o acesso aos investigadores de direitos humanos, a situação atual não pode ser completamente avaliada, mas a situação parece ser um exemplo de livro didático de limpeza étnica", disse, ao abrir a 36ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein.

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