Impasse

Madri barra novo mandato de Puigdemont na Catalunha

00:00 · 10.05.2018 / atualizado às 00:56
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Após liderar tentativa de secessão em outubro de 2017, Carles Puigdemont sofre represálias de Madri ( FOTO: AFP )

Madri/ Barcelona. A pedido do governo, a Justiça espanhola barrou ontem a reeleição do separatista Carles Puigdemont como presidente regional da Catalunha, obrigando os independentistas a escolher entre renunciar à candidatura de seu líder ou celebrar novas eleições.

O Tribunal Constitucional admitiu o trâmite a um recurso apresentado ontem pelo executivo do conservador Mariano Rajoy contra uma reforma legal do Parlamento catalão para permitir uma presidência telemática de Puigdemont, atualmente na Alemanha e pendente de um processo de extradição à Espanha. Ao admitir o recurso, o plenário da Corte Constitucional "suspende a lei" da câmara catalã de forma cautelar enquanto avalia o assunto a fundo, indicou uma fonte do tribunal.

Além disso, a alta corte "adverte a (o presidente da câmara, o separatista Roger) Torrent de seu dever de acatar a decisão", acrescentou a fonte.

Esta decisão deixa sem opções para ser presidente regional a Puigdemont, que já havia chocado em janeiro contra um primeiro bloqueio constitucional que proibiu sua posse à distância. Puigdemont é "um foragido da justiça", ressaltou o porta-voz governamental Íñigo Méndez de Vigo, em coletiva de imprensa depois de um conselho de ministros extraordinário que decidiu apresentar o recurso.

O grupo parlamentar do líder separatista, Juntos por Catalunha, havia anunciado no sábado que tentaria dar posse a Puigdemont em 14 de maio para cumprir com sua promessa eleitoral de lhe devolver a presidência da qual foi cassado em outubro pelo governo central após a fracassada declaração de independência. No entanto, já deixaram entrever que se não for possível, apresentarão um candidato alternativo para formar um governo na região, há seis meses controlada diretamente por Madri.

Oposição

Em seu discurso, Rajoy foi acusado de brando pelo líder do partido de centro-direita Cidadãos, Albert Rivera, que anunciou que seu partido, em clara ascensão eleitoral por sua feroz oposição aos separatistas, retiraria o apoio na gestão da crise catalã.

Os separatistas, com maioria absoluta no Parlamento catalão desde as eleições de dezembro, podem escolher o presidente antes de 22 de maio, data em que deverão ser convocadas novas eleições, caso se mantenha o bloqueio. Todos os candidatos apresentados à presidência já foram barrados pela justiça: Puigdemont estava no exterior e seus dois sucessores, Jordi Sánchez e o ex-porta-voz do governo, Jordi Turull, estão na prisão. Como a outros sete líderes separatistas, o juiz do Supremo Tribunal encarregado pela investigação da tentativa de secessão de outubro decretou a prisão ao processá-los por rebelião, delito punível com até 30 anos de prisão.

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