Entre Israel e Palestina

Macron pede renovação das conversas de paz

Presidente da França condenou, ainda, ataque que matou dois policiais israelenses em um santuário de Jerusalém

00:00 · 17.07.2017 / atualizado às 09:55
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Líder francês (d) apelou para que o premiê israelense Benjamin Netanyahu (e) não se afaste da solução via criação de dois estados independentes ( Foto: AFP )

Paris/Tel Aviv. O presidente da França Emmanuel Macron apelou ontem para o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu para a renovação das conversas de paz entre Israel e Palestina, para criação de dois estados independentes. Macron advertiu, no entanto, que a construção contínua de assentamentos de judeus pode ameaçar essas negociações e eventuais perspectivas de paz.

"Peço uma retomada das negociações entre Israel e os palestinos, no âmbito da busca de uma solução de dois estados, Israel e Palestina, vivendo em fronteiras reconhecidas e seguras, com Jerusalém como a capital", disse Macron a jornalistas.

Ao seu lado, Netanyahu disse: "Nós compartilhamos o mesmo desejo de Oriente Médio pacífico", sem dar detalhes sobre eventuais conversas de paz. Macron condenou um ataque na semana passada que matou dois policiais israelenses em um santuário de Jerusalém frequentado por judeus e muçulmanos.

O gabinete de Macron disse que ele está preocupado com a segurança de Israel e também com a possibilidade de Netanyahu estar se distanciando do compromisso de buscar uma solução entre os dois estados.

Macron disse que a França está pronta para utilizar de diplomacia para a renovação de negociações. Os dois líderes também discutiram a luta contra o extremismo na Síria.

Momento histórico

Macron e Netanyahu recordaram também ontem a chamada "rafle du Vel' d'Hiv'" (ataque ao velódromo de inverno), que levou à deportação de judeus sob as ordens do governo colaboracionista francês em julho de 1942, antes de uma reunião. Esta é a primeira vez que um premiê israelense participa da cerimônia que relembra um dos episódios mais obscuros da história francesa, e é a ocasião para os dois líderes discutirem temas sensíveis, como conflito entre Israel e os palestinos.

Em francês, Netanyahu agradeceu o convite de Macron como um "gesto muito, muito forte", que "testemunha a amizade antiga e profunda entre a França e Israel". Por sua vez, Macron ressaltou sua intenção de "perpetuar o gesto feito em 1995 por Jacques Chirac", primeiro presidente a reconhecer a responsabilidade da França neste evento.

O presidente afirmou que "foi a França que organizou a rafle" e que o regime de Vichy, "apesar de não representar todos os franceses, era o governo da França" naquele momento.

Nos dias 16 e 17 de julho de 1942, 13.152 judeus foram detidos em Paris e seus subúrbios por 9 mil policiais e gendarmes franceses destacados para a operação. Detidos em condições desumanas durante quatro dias, foram colocados no Velódromo de inverno (demolido em 1959), antes de serem levados aos campos de Loiret. Lá, 3.000 crianças foram brutalmente separadas de seus pais, deportados para Auschwitz. Menos de 100 pessoas sobreviveram.

Emmanuel Macron recordou na cerimônia a importância do combate ao antissemitismo e afirmou: "não vamos ceder ao antissionismo", que é a forma "de reinventar o antissemitismo". A vinda do chefe de governo israelense provocou críticas, de suposta "instrumentalização dos judeus franceses".

Após a cerimônia do Vel d'Hiv', os dois líderes se reuniram por mais de uma hora no Palácio do Eliseu.

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