Contra Israel

Liga Árabe exige investigação

Com 22 membros, a entidade pediu ao Tribunal Penal Internacional (TPI) que apure 'crimes' israelenses ( Foto: AFP )
00:00 · 18.05.2018

Cairo/Gaza. A Liga Árabe exigiu ontem uma investigação internacional sobre os supostos crimes das forças israelenses contra os protestos palestinos maciços na fronteira da Faixa de Gaza com Israel e que provocaram dezenas de mortes.

Enquanto a Liga Árabe engrossava o coro de críticas a Israel, o Exército hebreu voltou a bombardear posições do movimento islamita palestino Hamas na Faixa de Gaza, ontem, dia que marca o início do Ramadã (mês de jejum muçulmano).

Aviões israelenses bombardearam sete alvos, anunciou o Exército, que alegou responder a disparos contra soldados posicionados ao longo da fronteira.

Os tiros esporádicos e a resposta israelense mostram que a situação continua tensa na região. Israel tenta ignorar as críticas internacionais. Milhares de pessoas protestaram ao longo da fronteira de Gaza com Israel desde 30 de março pedindo a volta dos refugiados palestinos a seus lares, agora dentro de Israel.

As maiores manifestações coincidiram com a transferência da embaixada dos EUA em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, na segunda, quando as forças israelenses mataram 60 palestinos.

"Pedimos uma investigação internacional crível sobre os crimes cometidos pela ocupação", declarou o líder da Liga Árabe, Ahmed Abul Gheit, em uma reunião extraordinária dos ministros árabes das Relações Exteriores no Cairo, ontem. Israel rechaçou as acusações, principalmente da Turquia, defendendo que suas ações são necessárias para impedir a invasão em massa a partir do bloqueado enclave palestino comandado pelo movimento islamita Hamas.

Israel travou três guerras desde 2008 com o Hamas, que controla Gaza. Os protestos, que incluíram tentativas - sem sucesso - de quebrar a cerca, devem continuar ao longo do Ramadã.

Auge

Esta sexta-feira, dia em que os protestos costumam alcançar seu auge, será um teste fundamental para saber se a atual rodada de confrontos continuará.

Em teoria, as manifestações terminariam em 15 de maio, mas membros do Hamas disseram que querem continuar.

As forças israelenses mataram 116 palestinos desde o início das manifestações, registrando apenas um soldado ferido em suas fileiras.

Para os israelenses, o Hamas usou as manifestações como disfarce para tentar atacar Israel, e também estimulou os manifestantes, incluindo mulheres e crianças, a arriscar suas vidas ao longo da cerca fronteiriça.

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