Coreia do Norte

Kim começa desmonte de base de teste nuclear

Decisão de fechar as instalações é vista como um gesto de Pyongyang para dar tom positivo à cúpula com Trump

00:00 · 24.05.2018
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Com o programa bélico, a Coreia do Norte ambicionava se tornar uma potência nuclear, mas os Estados Unidos negociam o fim do arsenal do país asiático ( FOTO: AFP )

Pyongyang/Washington. Jornalistas estrangeiros se dirigiam, ontem, para a costa leste da Coreia do Norte, palco de uma cerimônia para desmantelar seu centro de testes nucleares, um gesto notório antes de uma histórica e ainda incerta cúpula com os EUA. O grupo foi convidado pelo governo do líder norte-coreano Kim Jong-un, para acompanhar a cerimônia formal de desmonte do lugar, com duração prevista de dois dias.

No mês passado, o Norte informou que iria destruir as instalações de Punggye-ri, no nordeste do país, detonando os túneis de acesso. O anúncio foi aplaudido por Washington e Seul. Em Punggye-ri, foram realizados seis testes nucleares. O último, o mais potente até a data, aconteceu em setembro e teria sido o de uma bomba de hidrogênio. O desmantelamento deve terminar amanhã, conforme as condições meteorológicas.

A Coreia do Norte apresentou esta medida como um gesto de boa vontade antes da cúpula histórica entre Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, prevista para 12 de junho, em Cingapura. Mas a euforia que reinava após o anúncio desse encontro deu lugar para dúvidas. Na semana passada, o Norte ameaçou com não participar da reunião e anulou as conversas com o Sul, acusando Washington de querer forçá-lo a renunciar de forma unilateral a seu arsenal nuclear.

Cingapura

Trump declarou ontem que a decisão final sobre a esperada cúpula com Kim será definida "na próxima semana". "Sobre Cingapura, nós veremos. Pode muito bem acontecer. Mas o que quer que aconteça, saberemos na próxima semana sobre Cingapura", afirmou à imprensa nos jardins da Casa Branca.

Trump e Kim acordaram um encontro em Cingapura em 12 de junho para discutir a eliminação de armas nucleares por parte de Pyongyang e da península coreana, mas nas últimas semanas esta reunião ficou envolta em incertezas.

Ontem, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, assegurou que a realização da cúpula dependia agora de Pyongyang. No entanto, Pompeo reconheceu que "ainda há muito trabalho a ser feito para encontrar um terreno comum", embora tenha dito que estava "otimista" com o fato de as delegações confirmarem a reunião.

Kim expressou a Pompeo seu interesse de que, uma vez fechado um acordo, a Coreia do Norte "possa receber ajuda econômica dos EUA, sob a forma de tecnologia e conhecimento do setor empresarial". Já o vice-ministro norte-coreano das Relações Exteriores, Cheo Son Hui, qualificou, ontem, de "estúpidos" os recentes comentários do vice-presidente dos EUA, Mike Pence, sobre as negociações visando a eliminação das armas nucleares.

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