sob fiança

Justiça russa liberta ativista brasileira

00:00 · 20.11.2013
Dos estrangeiros presos em São Petersburgo, na Rússia, a brasileira foi a primeira a conseguir a liberdade

São Paulo A Justiça da Rússia liberou ontem a bióloga brasileira Ana Paula Maciel, 31, que fazia parte do grupo de 30 ativistas do Greenpeace preso no país desde setembro. A ambientalista participou da ação que interceptou uma plataforma de petróleo russa no mar Ártico. A informação foi confirmada pela organização em sua conta no microblog Twitter. Para deixar a cadeia onde está em São Petersburgo, a ativista terá que pagar uma fiança de 2 milhões de rublos (R$ 141 mil).

A bióloga brasileira Ana Paula Maciel, 31 anos, estava presa desde setembro último juntamente com 29 ativistas do Greenpeace FOTO: REUTERS

Reavaliação

Maciel será a primeira estrangeira a ser solta, após o tribunal da cidade ter autorizado a soltura do porta-voz Andrei Allakhverdov, da médica Yekaterina Zaspa e do fotógrafo Denis Siniakov, ambos russos. A liberação de Maciel acontece em meio à reavaliação das prisões preventivas dos ambientalistas, que foram indiciados por vandalismo pela tentativa de invasão de uma plataforma da estatal petroleira Gazprom, em 18 de setembro. O barco em que estava o grupo, o holandês Arctic Sunrise, foi apreendido e os ativistas foram encaminhados inicialmente para a cidade de Murmansk, no litoral norte russo, onde ficaram presos até a semana passada.

Na primeira imputação, os ambientalistas foram acusados de pirataria. O tribunal russo deverá avaliar os outros casos até o fim da semana, pouco antes de vencer o prazo da prisão preventiva, no domingo.

Até o momento, apenas o australiano Colin Russell teve a prisão prolongada e deverá ficar na cadeia até 24 de fevereiro. A defesa tentou pedir fiança ou prisão domiciliar em um hotel de São Petersburgo, mas as duas proposições foram recusadas pela juíza Alla Yermakova. Para a magistrada, o australiano pode atrapalhar a investigação ou deixar o país.

Choro

Um dos ativistas, o argentino Miguel Orsi, segurava uma fotografia de sua filha, que é bebê, e chorou ao ouvir a decisão do juiz. O Greenpeace disse que vai disponibilizar o dinheiro assim que possível. Os juízes do caso do Greenpeace haviam concordado anteriormente com a promotoria que os ativistas estrangeiros poderiam fugir, mas o tribunal de Primorsky não disse que os sete podem sair da Rússia enquanto estiverem sob fiança. As datas para os julgamentos dos ativistas ainda não foram determinadas.

Repercussão

A ONG já arrecadou o valor necessário para a libertação dos quatro ativistas e vai depositar a fiança nas próximas horas. Após a audiência de Ana Paula Maciel, a ONG publicou uma foto da bióloga sorrindo no momento do anúncio da decisão. "É a melhor notícia que recebi em dois anos, mas a justiça só será feita quando todas as acusações absurdas forem retiradas", reagiu Rosangela Maciel, a mãe de Ana Paula, em um comunicado divulgado pelo Greenpeace.

A presidente Dilma Rousseff também se manifestou sobre a libertação da bióloga. "Fiquei muito feliz com a notícia de que a bióloga brasileira Ana Paula Maciel poderá, mediante fiança, responder em liberdade ao processo ante a justiça da Rússia", declarou Dilma em sua conta no Twitter. Ela também recordou que o Ministério das Relações Exteriores brasileiro tem acompanhado o caso.

De fato, o chanceler Luiz Alberto Figueiredo viajará em visita oficial à Rússia em 20 de novembro, e pretende abordar o caso, segundo o Itamaraty. Segundo o advogado do fotógrafo Denis Siniakov, entrevistado pela rádio Echo de Moscou, os ativistas cuja audiência foi realizada segunda-feira poderão ser libertados a qualquer momento.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.