avanço dos populistas

Itália negocia para sair de caos político

Terceira economia da zona do euro enfrenta incertezas sobre o novo governo que pode unir forças 'antieuropeias'

00:00 · 31.05.2018
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Luigi di Maio, do Movimento 5 Estrelas, chegou ao poder, em março, se aliou à extrema direita da Liga, mas bloco não consegue formar um governo FOTO: AFP

Roma Luigi di Maio, líder italiano do Movimento 5 Estrelas (populista, eurocético, pró-Rússia e antissistema), partido mais votado nas eleições de março, propôs, ontem, um compromisso para relançar a formação de um governo de unidade com a extrema direita e, assim, tirar o país do impasse político.

Indicado pelo presidente da República Sergio Mattarella para o cargo de premiê, o tecnocrata Carlo Cottarelli, contestado pelos populistas do M5E e pela extrema direita da Liga por ser um controlador austero dos gastos públicos, adiou a formação de sua equipe para permitir as negociações. "É o momento das soluções", declarou Di Maio, que propôs uma personalidade "com o mesmo caráter e valor" para substituir Paolo Savona, conhecido eurocético, vetado por Mattarella, para ser ministro da Economia, o que gerou o caos político.

Por enquanto, Cottarelli, ex-funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI), não apresentou seu eventual governo. "Decidiram dar tempo às negociações políticas", informaram fontes da presidência.

O economista, encarregado no domingo de formar um governo técnico de transição, deveria apresentar seu gabinete na terça à tarde, mas o anúncio foi adiado, o que provocou todo tipo de especulação, incluindo a possibilidade de que novas eleições legislativas sejam convocadas logo para o dia 29 de julho.

Mas as negociações entre as forças políticas populistas e de extrema direita que venceram as eleições de março são difíceis.

Extrema direita

O líder da Liga, de extrema direita (anti-imigração), Matteo Salvini se recusa a mexer no Executivo acordado com Di Maio e substituir o controverso Savona. "Ou aprovam o Executivo acordado no domingo tal como está, ou vamos para novas eleições". A imprensa evoca a possibilidade de que Mattarella volte a designar o advogado Giuseppe Conte para formar um gabinete com as forças populistas e, inclusive, falam na ideia de um governo dirigido por Salvini ou por seu braço direito, Giancarlo Giorgetti, figura-chave por ter boas relações com todos os partidos. Se o impasse continuar, Salvini pede novas eleições em setembro.

Com apreensão
 
UE acompanha desenrolar da crise italiana
 
A União Europeia (UE) acompanha com apreensão os altos e baixos políticos na Itália, cujo desenlace pode reativar a crise da dívida, ou dar lugar a um novo referendo seguindo o modelo do Brexit no Reino Unido. O mercado já apelidou esse risco como "Italexit". "Se forem organizadas novas eleições, será uma votação no modelo do Brexit", prevê um ex-dirigente europeu sob anonimato.
 
O alarme soou na Europa. A confusão foi reforçada pela publicação de um documento de trabalho da coalizão na qual a Liga e o M5E pedem a anulação de parte de 2,3 bilhões de euros da dívida italiana.
 
O comissário europeu para o Orçamento, o alemão Günther Oettinger, admitiu o pânico. "Nas próximas semanas as consequências para a economia da Itália poderiam ser tão drásticas que seriam um sinal aos eleitores para não votarem em populistas de esquerda e direita"

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