Crise política

Itália derruba premiê antieuro

00:00 · 28.05.2018
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Ex-FMI, Carlo Cottarelli ganhou apelido de "Sr Tesoura" ao revisar as despesas públicas da Itália em 2013 ( Foto: AFP )

Roma. O presidente italiano, Sergio Mattarella, convocou, ontem, o economista Carlo Cottarelli, pouco depois de o advogado eurocético Giuseppe Conte renunciar ao cargo de primeiro-ministro, sem conseguir formar um governo de coalizão na Itália. Na quarta-feira passada, o presidente Sergio Mattarella tinha designado Conte, de 53 anos, para tentar formar um Executivo com a formação antissistema Movimento 5 Estrelas e a de extrema direita Liga, quase três meses depois das eleições, que aconteceram em 4 de março.

A decisão de renunciar foi tomada após o desentendimento entre as formações populistas e o presidente Mattarella acerca do candidato a ministro de Economia e Finanças, o economista Paolo Savona, de 81 anos, conhecido por suas posições eurocéticas, o que preocupa os mercados financeiros e as autoridades da União Europeia.

As duas partes não chegaram a um acordo sobre o Executivo e, em particular, sobre o nome para guiar a terceira maior economia da zona do euro.

"É inútil votar na Itália. Os governos são decididos pelos lobbies financeiros", reagiu Luigi Di Maio, do M5E. "Somos um país com uma soberania limitada", criticou Matteo Salvini, da Liga.

O presidente Mattarella explicou que pediu como candidato para a pasta estratégica um expoente político, e não um "defensor da saída da Itália do euro", pois "isso põe em risco as poupanças dos italianos", apontou.

A Presidência anunciou a convocação de Cottarelli, de 64 anos, que foi funcionário de alto escalão do FMI. Na Itália, o presidente aprova a lista de ministros de acordo com a ordem política do país. Esse enfrentamento entre dois partidos e o presidente da República é inédito no país.

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