Sicília

Itália condena políticos mafiosos

Rosario Allegra, cunhado do "capo" Matteo Messina Denaro, considerado o chefe máximo da máfia siciliana e fugitivo, é levado por policiais de Palermo ( Foto: AFP )
00:00 · 21.04.2018

Roma. A Justiça italiana condenou na sexta-feira (20) a penas exemplares de prisão políticos e representantes das forças de ordem por terem negociado na década de 1990 com a máfia siciliana para conter uma onda de atentados. O tribunal de Palermo (Sicília, sul) condenou a 28 anos de prisão o chefão da máfia Leoluca Bagarella, detido desde 1995 e condenado a várias penas de prisão perpétua por dezenas de assassinatos - uma sentença particularmente alta, pois a promotoria havia pedido 16 anos.

Os generais reformados Mario Mori e Antonio Subranni, assim como o histórico colaborador e amigo de Silvio Berlusconi, o ex-senador Marcello Dell'Utri, atualmente preso por associação mafiosa, foram condenados a 12 anos de prisão juntamente com Antonino Cina, médico pessoal de Toto Riina, o "capo dei capi" (o chefe de todos os chefes). O julgamento começou em maio de 2013, em Palermo, a fim de lançar luz sobre as suspeitas de que altos funcionários do Estado negociaram com a temida organização criminosa siciliana para acabar com a onda de atentados que sacudiam toda a Itália no começo dos anos 1990, oferecendo em troca melhores condições de detenção para centenas de mafiosos.

Segundo a acusação, as negociações secretas começaram após o assassinato do deputado Salvo Lima, em 1992, e se intensificaram depois dos assassinatos dos dois juízes antimáfia Giovanni Falcone e Paolo Borsellino nos meses sucessivos.

O ex-ministro do Interior da época, Nicola Mancino, foi absolvido após demonstrar que se tratava de falsos testemunhos.

No curso de mais de 200 audiências foi convocado o presidente da República da época, Giorgio Napolitano, deputado no momento dos fatos. Foi a primeira vez que um chefe de Estado italiano em exercício foi testemunha em um julgamento.

"Foi um veredicto histórico", disse, satisfeito, o promotor siciliano Nino Di Matteo, que vive sob proteção policial há 25 anos.

Cosa Nostra

Outras vinte pessoas relacionadas com o temido líder da organização mafiosa siciliana Cosa Nostra, Matteo Messina Denaro, foram detidas na quinta.

"Trata-se de uma ampla operação que tem como objetivo capturar o fugitivo Matteo Messina Denaro e enfraquecer os circuitos criminais e econômicos da organização que lidera", explicou a polícia. Matteo, de 56 anos e que foge da Justiça desde 1993, é o sucessor de mafiosos históricos da Cosa Nostra, entre eles Toto Riina e Bernardo Provenzano, que morreu na prisão.

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