Oriente médio

Israel ameaça Irã, acena à Síria e recua em Gaza

Benjamin Netanyahu fala em "coalizão militar internacional" para frear Teerã após ataque contra dois petroleiros

00:00 · 03.08.2018
Exército israelense
Exército israelense segue mantendo vigilância das Colinas de Golã, na fronteira com a Síria, embora relação das duas nações tenha melhorado ( FOTO: AFP )

Tel Aviv/Teerã. O governo de Israel voltou, ontem, a ameaçar o Irã, a asfixiar os palestinos na Faixa de Gaza, cortando fornecimento de gás e combustível, após ter desfeito uma trégua, e tentou ainda pacificar seu discurso sobre o regime do ditador sírio Bashar al-Assad, a fim de evitar uma escalada militar.

O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, advertiu que o país se unirá a uma coalizão militar internacional caso o Irã bloqueie o estreito de Bab El Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho, após um ataque contra dois petroleiros sauditas executado por rebeldes do Iêmen.

O estreito, uma das vias marítimas mais ativas do mundo, é vital para o fornecimento de petróleo aos países do Golfo.

"Se o Irã tentar bloquear o estreito de Bab El Mandeb, tenho certeza de que este país se encontrará ante uma coalizão internacional decidida a evitar isto. Esta coalizão também incluirá o Estado de Israel e suas armas", advertiu o premiê. Israel considera o Irã seu principal inimigo, e Netanyahu fez alertas contra a expansão da presença militar iraniana na região.

Assad

As recentes vitórias na Síria por parte do governo de Bashar al-Assad têm vantagens para Israel, que não pretende intervir no conflito, garantiu, ontem, o ministro israelense da Defesa, Avigdor Lieberman. "Na Síria, do nosso ponto de vista, a situação volta a ser a que prevalecia antes da guerra civil (em 2011), ou seja, que está claro a quem se dirigir, há alguém que é responsável e há um poder central", afirmou Lieberman durante uma visita a instalações de defesa antiaérea no norte de Israel.

O ministro mencionou a necessidade de "respeito dos acordos de separação de 1974" que estabelecem uma zona desmilitarizada nas Colinas de Golã, em grande parte ocupados por Israel. ONU e Síria consideram ilegal a ocupação israelense.

Lieberman reiterou, por sua vez, que "o território sírio não deve ser usado como posto avançado iraniano contra o Estado de Israel", nem servir de lugar de trânsito para as "armas destinadas ao Hezbollah no Líbano".

Novo bloqueio

Israel voltou a bloquear, ontem, o fornecimento de gás e combustível à Faixa de Gaza, em represália ao lançamento de balões incendiários contra o território israelense, anunciou Lieberman.

A medida atingirá o enclave palestino que já sofre com cortes de eletricidade, o que afeta particularmente os hospitais.

Lieberman destacou que a medida se deve "à continuação do terrorismo com balões incendiários e os confrontos na fronteira" entre Israel e a Faixa de Gaza.

Em 17 de julho, Israel reforçou o bloqueio na Faixa de Gaza ao interromper o fornecimento de combustível como represália ao lançamento de balões incendiários em direção ao sul do país.

As restrições foram retiradas parcialmente após uma trégua anunciada no fim de julho entre Israel e o grupo islamita Hamas, que governa a Faixa de Gaza.

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