Após bombardeios

Israel ameaça destruir sistemas de defesa da Síria

Estado hebreu afirmou que irá impedir o envio de armas sírias para o Líbano; clima é o mais tenso desde 2011

00:00 · 20.03.2017
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Israel está oficialmente em estado de guerra há décadas com a Síria. As relações entre os países são ruins, sobretudo pelas alianças do governo sírio ( AFP )

Jerusalém/Mossul. O ministro da Defesa de Israel, Avigdor Lieberman, ameaçou ontem destruir os sistemas de defesa aérea da Síria, que dispararam na última sexta-feira (17) mísseis terra-ar contra aviões israelenses que realizavam bombardeios em território sírio.

"Da próxima vez que os sírios utilizarem seus sistemas de defesa área contra nossos aviões, os destruiremos sem a menor dúvida", disse Liberman à rádio pública de seu país.

Israel afirmou que sua Força Aérea atacou na Síria um armamento "sofisticado" destinado ao movimento xiita libanês Hezbollah, aliado do governo de Bashar al-Assad.

O ataque ocorreu na sexta-feira antes do amanhecer, próximo a Palmira, e provocou uma resposta antiaérea das forças sírias e um disparo de míssil em direção ao território israelense, que foi interceptado. O Exército sírio afirmou ter derrubado um avião israelense e ter atingido outro, o que Israel negou.

Trata-se do incidente mais grave entre os dois países desde o início do conflito na Síria, em março de 2011.

"Todas as vezes em que constatarmos transferências de armas da Síria para o Líbano, atuaremos para impedir. Sobre este tema não há compromisso", acrescentou o ministro da Defesa israelense.

"Os sírios devem entender que são responsáveis pelo envio de armas ao Hezbollah, e enquanto continuarem permitindo isso, faremos o que temos que fazer", advertiu Lieberman.

O Hezbollah é considerado um dos maiores inimigos do Estado de Israel.

"Repito - continuou o ministro israelense - que não queremos nos intrometer na guerra civil na Síria, nem provocar um confronto com os russos (aliados do governo sírio), mas a segurança em Israel é a prioridade", apontou.

Israel está oficialmente em estado de guerra há décadas com a Síria. As relações entre os países são ruins, sobretudo pelo fato de o governo sírio ser apoiado pelo Hezbollah e pelo Irã, inimigos do Estado hebreu, em sua guerra contra os rebeldes.

Defesas atacadas

Intensos combates foram registrados ontem no oeste de Mossul, onde as forças iraquianas tentam romper a defesa do grupo Estado Islâmico na entrada da Cidade Velha, objetivo estratégico para tomar a cidade.

Situada na margem ocidental do Rio Tigre, a Cidade Velha é um labirinto de becos cuja configuração e densidade populacional dificultam o avanço das forças de segurança iraquianas.

No centro do bairro se encontra a mesquita Al Nuri, onde o líder do EI, Abu Bakr al-Baghdadi, convocou em julho de 2014 todos os muçulmanos a obedecê-lo, dias depois da proclamação de seu califado nos territórios conquistados na Síria e no Iraque. Ontem, a Polícia federal e a Força de Intervenção Rápida (FIR), equipadas com rifles de assalto, avançavam perto do Tigre, disparando morteiros e lança-foguetes.

Vários helicópteros, com um clima mais favorável que nos últimos dias, apoiavam as forças iraquianas metralhando as posições extremistas, enquanto na cidade ressoavam os tiros e os sons de explosões.

"O objetivo das batalhas é atravessar a ponte de Hadidi para o norte", disse o general Abas al Juburi, comandante da FIR, antes de mencionar as dificuldades inerentes a este tipo de ambiente urbano.

"As dificuldades são a presença de famílias, como evitar atirar contra as famílias utilizadas como escudos humanos (pelo EI). É um bairro antigo, com casas velhas, raramente se utiliza armamento pesado", explicou.

Nos últimos dias, as forças iraquianas afirmaram ter recuperado vários lugares, como o mercado e uma mesquita, no perímetro inicial da Cidade Velha.

Ofensiva

As autoridades iraquianas lançaram há cinco meses, em 17 de outubro, uma grande ofensiva para retomar Mossul, segunda maior cidade do Iraque e último grande reduto do EI, com a ajuda da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

Após retomar os bairros da parte leste no fim de janeiro, as tropas de Bagdá realizaram em 19 de fevereiro uma operação para se apoderar do oeste e reconquistar bairros e edifícios importantes, como a sede do governo da província de Nínive e a estação de trens.

A queda de Mossul, último grande reduto do EI no país, seria um duro golpe para a organização extremista, que se instalou na cidade em 2014.

Mais de 150.000 pessoas fugiram do oeste de Mossul e de seus arredores há um mês, quando começou a ofensiva das forças militares iraquianas.

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