RETIRADA DOS EUA

Iraque se diz pronto para assumir segurança

01:19 · 20.08.2010
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Para governo, os preparativos para a transição de poder serão suficientes para enfrentar os desafios

Bagdá. Após a saída das últimas brigadas de combate americanas em solo iraquiano ontem, o governo local afirmou que seu Exército tem condições de assumir a segurança do país.

O porta-voz do Executivo iraquiano, Ali al Dabag, afirmou que as forças iraquianas poderão manter a segurança do país mesmo após a retirada americana, e que os preparativos para a transição de poder são suficientes para enfrentar os futuros desafios. "Optamos por assumir a missão e manter a segurança de nosso país sozinhos, sem a necessidade de tropas estrangeiras", sublinhou Al Dabag.

Já o porta-voz das forças americanas no Iraque, o major-general Stephen Lanza afirmou que o Exército e a Polícia do Iraque estão prontas para garantir a segurança do país. Lanza disse que as forças locais têm demonstrado profissionalismo e continuarão melhorando seu desempenho, tendo mostrado importantes progressos desde 2003.

O porta-voz acrescentou ainda que as 6 mil tropas restantes devem deixar o Iraque até o dia 31 de agosto, sobrando, pelo menos, 50 mil soldados que integrarão a força de transição. As tropas remanescentes ficarão para tarefas de "estabilização", missões de treinamento das forças iraquianas, segurança de civis americanos e operações conjuntas de contra insurgência.

"A última brigada cruzou a fronteira com o Kuait por volta das 6h (0h de quinta-feira em Brasília)", afirmou o tenente-coronel Eric Bloom, sete anos e meio depois da invasão e início da Operação Liberdade Iraquiana. Os 1.800 soldados da Quarta Brigada Stryker, Segunda Divisão da Infantaria, saiu com 360 veículos militares pela fronteira entre os dois países.

"Operação Liberdade Iraquiana encerra no seu turno", gritou o coronel John Norris, chefe da brigada. "Hooah!", gritaram os soldados, em um slogan comum no Exército.

O capitão Christopher Ophardt, porta-voz do grupo, disse à rede de TV CNN que os últimos dos 4 mil integrantes da unidade estavam em veículos blindados cruzando a fronteira para o Kuait no começo desta quinta-feira. A maioria da brigada, no entanto, partiu mais de um dia atrás, mas o anúncio foi adiado por motivos de segurança.

Longo prazo

"É um momento histórico", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, o qual insistiu que esse momento não representa o fim da missão americana no país. "Estamos terminando a guerra, mas não estamos terminando nosso trabalho no Iraque", disse. Segundo o porta-voz, os Estados Unidos têm um "compromisso a longo prazo" com o país árabe.

Apesar da retirada da brigada, nem a Casa Branca, nem o Pentágono deram a missão de combate no Iraque como terminada. Ela acaba oficialmente no próximo dia 31.

No dia 7 de agosto, os americanos repassaram a responsabilidade sobre todas as tarefas de combate no Iraque para as forças de segurança do país, em mais um sinal de que a retirada dos Estados Unidos prossegue apesar do impasse político iraquiano e do aumento recente da violência.

"Hoje é um dia muito importante pois continuamos a progredir na direção de passar toda a responsabilidade para as forças de segurança iraquianas", disse o general Raymond Odierno, comandante militar norte-americano no Iraque, depois da cerimônia de despedida da última brigada de combate dos Estados Unidos.

Durante a cerimônia, uma divisão militar iraquiana fez demonstrações de medidas de segurança. Ataques a bomba, entre outros, permanecem parte do dia a dia do país, apesar de a violência ter diminuído desde o pior momento do conflito, em 2006 e 2007.

A operação "Liberdade Iraquiana" começou em 20 de março de 2003 durante a Presidência de George W. Bush, com a justificativa de que o regime do falecido ditador Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa.

A guerra do Iraque provocou mais de 4 mil mortes no Exército americano e de dezenas de milhares de iraquianos. A ONG Iraq Body Count, com sede na Alemanha, calcula que entre 97 mil e 106 mil iraquianos morreram desde a invasão americana. Nos últimos 18 meses, 90 mil soldados saíram do Iraque. Todas as tropas sairão do país até o fim do próximo mês.

Transição

50 mil soldados vão continuar no Iraque até o fim do próximo ano para tarefas de "estabilização", como missões de treinamento

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