Declaração de aiatolá

Irã nega acordo ou guerra com EUA

Ali Khamenei, Guia Supremo do país, minimizou os riscos de enfrentamento externo e culpou política interna

00:00 · 14.08.2018
Ali Khamenei
Ali Khamenei (foto) expressou insatisfações dos iranianos com o desempenho econômico do governo, dando apoio à ala crítica a Hassan Rohani ( FOTO: AFP )

Teerã/Washington. O aiatolá Ali Khamenei, Guia Supremo do Irã, descartou qualquer possibilidade de uma guerra ou de negociação com os EUA, após o restabelecimento das sanções decorrente da retirada de Washington do acordo nuclear.

As declarações do aiatolá Khamenei aumentaram a pressão sobre o presidente, moderado, Hassan Rohani, que enfrenta problemas para responder sobre a queda da moeda nacional, o rial, e as recentes manifestações contra a inflação e a corrupção.

Também parece descartar qualquer esperança sobre um diálogo com Washington, depois da retirada unilateral do presidente americano Donald Trump do acordo nuclear iraniano alcançado em 2015, seguido pelo restabelecimento das sanções econômicas da Casa Branca desde a semana passada.

"Dirigentes americanos têm falado descaradamente de nós nos últimos tempos. Além das sanções, falam de guerra e de negociações", disse em sua conta do Twitter em inglês.

"Deixa-me dizer em relação a isso algumas palavras ao povo: NÃO HAVERÁ GUERRA, NEM NEGOCIAÇÕES COM OS ESTADOS UNIDOS", acrescentou o aiatolá Khamenei, mostrando a ênfase de sua mensagem com letras maiúsculas.

"Os problemas substanciais (que o Irã enfrenta) de hoje em dia não vêm do exterior, são internos", disse o aiatolá Khamenei. Ele acrescentou que "especialistas econômicos e autoridades pensam que a causa deste problema não é externo, mas interno", disse durante um discurso em Teerã. "Não digo que as sanções não tenham impacto, mas se trata principalmente da maneira como a enfrentamos", afirmou. Estas expressões fazem eco às críticas que vem recebendo o presidente Rohani, especialmente da Guarda Revolucionária, o poderoso exército de elite da República Islâmica.

Eleito para um primeiro mandato em 2013, o presidente Rohani foi o principal motor do lado iraniano do acordo internacional sobre o tema nuclear concluído em Viena em julho de 2015 entre Teerã e o Grupo 5+1 (China, EUA, França, Grã Bretanha, Rússia e Alemanha).

Por este acordo, o Irã limitou consideravelmente seu programa nuclear em troca da suspensão de uma parte das sanções internacionais que asfixiavam sua economia.

Ultraconservadores

Rohani foi reeleito para um novo período de quatro anos em maio de 2017, com o apoio dos reformistas. Desde sua primeira eleição não deixou de ser atacado pelos ultraconservadores, que, após a saída e as denúncias dos EUA, reafirmaram sua desconfiança em relação Ocidente.

Depois dos protestos que surgiram após os problemas econômicos, os opositores reprovaram Rohani por ter abandonado as classes sociais mais pobres.

As sanções após a retirada dos EUA do acordo nuclear entrou em vigor em 7 de agosto.

Mas a economia iraniana já sofria desde antes, com uma elevada taxa de desemprego e uma forte inflação.

Novo míssil

Ontem, o ministro da Defesa do Irã apresentou ontem um míssil balístico de nova geração, informou a agência de notícias Tasnim, próxima aos conservadores. De acordo com a agência, o projétil apresentado é um míssil de curto alcance Fateh Mobin.

"Como prometido ao nosso querido povo, não pouparemos nenhum esforço para aumentar as capacidades dos mísseis balísticos do país", declarou o general Amir Hatami. "Aumentaremos nosso poder de mísseis a cada dia", completou.

O ministro descreveu a nova versão do Fateh Mobin como um míssil "fabricado 100% no país (...) ágil, furtivo, tático e com guia de precisão". "Tenham certeza de quanto maiores as pressões e a guerra psicológica contra a grande nação do Irã, mais reforçaremos a vontade de melhorar nossa capacidade defensiva em todos os âmbitos", disse.

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