Armas Químicas

Inspetores entram em cidade síria para investigar

Segundo socorristas, ataque com cloro foi no dia 7 de abril e matou 44 civis; além de espuma na boca e olhos irritados, gás deixa pele azulada ou roxa ( Foto: AFP )
00:00 · 18.04.2018

Duma. Uma equipe de inspetores internacionais da Opaq (Organização para a Proibição de Armas Químicas) chegou, ontem, a cidade de Duma, na periferia de Damasco, capital da Síria, para investigar o suposto ataque químico do dia 7 de abril, afirmou a agência estatal síria.

A missão esperava há dias autorização da Síria e da Rússia para entrar na região de Ghouta Oriental, que era dominada por rebeldes na ocasião do ataque.

A ONU (Organização das Nações Unidas) afirma que 40 pessoas morreram e outras 500 foram feridas pela ofensiva química, que motivou o bombardeio aéreo conjunto de EUA, França e Reino Unido contra a Síria na última sexta-feira (13).

O ditador Bashar al-Assad nega participação no ataque em Duma. Já o governo russo afirma que as imagens do suposto uso de armas químicas foram forjadas. A visita dos inspetores da Opaq ao local deveria ter ocorrido na segunda (16), mas acabou sendo adiada. O governo britânico disse que Damasco e Moscou impediram a ida dos agentes à Duma. O vice-chanceler russo, Serguei Ryabkov, justificou o adiamento pela falta de garantias de segurança no local.

Após dois meses vivendo em um porão com sua família, Lina finalmente pôde deixar seu esconderijo, junto com vários moradores de Duma. Um grupo de pais e mães caminha com seus filhos em frente a edifícios destruídos, comprovando os estragos causados pelas bombas.

"Decidi sair para passear com a minha filha, que insistia, chorando", conta Lina, uma mulher de aproximadamente 40 anos que usa um véu negro durante uma visita da imprensa organizada pelas autoridades sírias.

Após sair do porão, sua filha Waad, de 9 anos, hesitou e quis voltar a se esconder com medo de novos bombardeios. Lina teve de tranquilizá-la, explicando "que a calma havia voltado e que ela já não corria nenhum perigo". "Agora podemos sair e respirar. Meus filhos viveram no medo e no horror, não tiveram infância", lamenta, observando a enorme quantidade de escombros que os cerca. A ofensiva na região onde eles moram começou no dia 18 de fevereiro. Mais de 1.700 civis morreram.

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