Após polêmica eleitoral

Honduras: cédulas eleitorais devem ser revistas

Crise levou milhares de hondurenhos às ruas que tiveram adesão do grupo policial 'Cobras' ( Foto: Ag. France Presse )
00:00 · 06.12.2017

Tegucigalpa. O Tribunal Supremo Eleitoral de Honduras (TSE) convocou ontem a aliança opositora esquerdista a examinar mais de 5 mil cédulas eleitorais, diante de suas denúncias de uma suposta fraude nas eleições para favorecer a reeleição do presidente Juan Orlando Hernández. David Matamoros, presidente do TSE, requereu à Aliança de Oposição contra a Ditadura que apresente "suas cópias certificadas" e compará-las com as "cédulas originais" para verificar as denúncias de "roubo" contra seu candidato, o popular apresentador de TV Salvador Nasralla.

Coordenada pelo ex-presidente Manuel Zelaya, deposto em 2009, a aliança opositora denunciou que 5.174 cédulas, cerca de 30% do total, foram alteradas na semana passada durante sucessivas interrupções no sistema de apuração do TSE.

"Convidamos a Aliança (que se apresente) com as cópias certificadas que eles têm para que façamos uma apresentação e as revisemos", afirmou Mataomoros. A eleição foi celebrada em 26 de novembro, mas o tribunal eleitoral não declarou um vencedor e deu-se no país uma nova explosão da crise política, após o golpe de Estado que derrubou Zelaya em junho de 2009.

As denúncias de fraude, feitas pela oposição, gerou protestos, alguns violentos pelo confronto de manifestantes com policiais e militares. "Queremos que não reste nenhuma dúvida de que se revisa e como revisa, vamos trabalhar, vai haver observação nacional e internacional e dos meios de comunicação", acrescentou Matamoros.

Inicialmente não houve reação da aliança opositora ao chamado do Tribunal Supremo Eleitoral. Enquanto milhares de hondurenhos se somavam aos panelaços contra a possível fraude, centenas de policiais anunciaram que não irão às ruas reprimir os protestos.

Com 99,98% das cédulas apuradas, Hernández, de 49 anos, aparece à frente com 42,98% dos votos, enquanto Nasralla, de 64, tinha 41,39%.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.