Diáspora

Holocausto armênio é lembrado no Ceará

Neto de armênio que fugiu de massacres, cearense representa a memória de um povo vítima de genocídio

00:00 · 25.04.2018 / atualizado às 00:38 por Renato Bezerra - Repórter
Image-0-Artigo-2392104-1
Cearense Sarquis Fermanian recorda que o Império Otomano matou 1,5 milhão de armênios ( FOTO: ARQUIVO PESSOAL )
arte

A Armênia e boa parte do mundo lembraram, ontem, os 103 anos do início da série de massacres do seu povo, entre os anos de 1915 e 1917, quando mais de 1,5 milhão de pessoas foi assassinada pelo então Império Otomano (hoje Turquia). Em Fortaleza, descendentes de armênios cresceram à sombra das histórias de terror vividas por seus antepassados, ao mesmo tempo em que ainda buscam o reconhecimento do fato como um genocídio, ainda negado pela Turquia e seus aliados. Em fevereiro deste ano, o Parlamento holandês reconheceu, no entanto, oficialmente o "Holocausto armênio", irritando autoridades turcas.

Para o empresário cearense Sarquis Fermanian, 44, neto de fugitivos do massacre, é preciso que o fato seja constantemente abordado para que nunca caia no esquecimento. "É triste saber que muita gente não sabe e mais triste ainda é saber que governos omitem um fato comprovado político e historicamente, nos dá um sentimento de impotência. Quando a gente pensa que ainda existe esse tipo de situação no mundo, como na Síria, em que o governo dizima pessoas por credo ou religião, e o mundo não se impõe, é muito triste", comenta.

Aos 15 anos de idade, seu avô, o jovem Carlos Fermanian, fugiu da Armênia com os irmãos menores em direção à Síria, após presenciar o assassinato brutal dos pais. Em 1928, ouviu falar do Brasil pela primeira vez e ao chegar ao País, encontrou refúgio em Fortaleza, onde se tornou comerciante. Em 1936, retornou à Armênia e conheceu a jovem Lídia, com quem se casou meses depois, constituindo sua família, que se perpetuaria no Ceará.

"Ele chegou a visitar a Armênia algumas vezes mas pelo que sabemos nunca cogitou retornar de vez. Aqui em Fortaleza ele formou uma família, e lá ela foi toda dizimada", afirma Sarquis, que pelo menos uma vez por ano viaja até a Armênia com a família para participar das cerimônias em alusão a data. "Este ano são os 103 anos do holocausto vivido pelos armênios. Hoje, mais de 29 países reconhecem o fato como um genocídio mas a grande maioria não, então existe uma campanha mundial para que isso aconteça", acrescenta.

Capital

Erevan, a capital do país, amanheceu, ontem, tranquila, com a maioria dos habitantes preparando-se para celebrar o genocídio armênio, importante data na história do país, após uma noite de comemorações por conta da renúncia do ex-presidente e agora ex-premiê Serge Sarkisian, após 11 dias de protestos.

O presidente do país, Armen Sarkisian, o premiê interino, Karen Karapetian, e autoridades religiosas compareceram ao memorial de Erevan dedicado às vítimas dos massacres.

Já o Parlamento deve eleger o novo premiê em 7 dias. Os manifestantes criticavam Serge, ex-militar de 63 anos, por nada ter feito para reduzir a pobreza e a corrupção no país, onde oligarcas controlam a economia.

Com informação da AFP

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.