Índia

Guru de políticos ficará na cadeia

00:00 · 26.04.2018
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Guru Asaram Bapu, cultuado por multidões, prega a seus discípulos a renúncia aos desejos sexuais ( FOTO: AFP )

Jodhpur. A justiça indiana condenou, ontem, o influente guru Asaram Bapu à prisão perpétua pelo estupro de uma discípula adolescente. A segurança foi reforçada em vários pontos do país pelo temor de distúrbios.

Asaram, um guru de 77 anos que dirige centenas de ashrams - centros de meditação e ensino hinduísta- e pregador da abstinência sexual, era acusado de ter abusado sexualmente uma jovem de 16 anos em Rajastha (oeste da Índia), com o pretexto de exorcizar espíritos malignos.

O guru alega que tem ex-primeiros-ministros e presidentes indianos entre seus adeptos.

As condenações de personalidades do mundo político e espiritual são consideradas sensíveis na Índia, pois estas pessoas são seguidas por milhões de adeptos com grande devoção, o que provoca o temor de uma explosão de violência. Por precaução, as autoridades anunciaram que várias regiões do país se encontram em estado de alerta.

Chamado de "Babuji", Asaram sempre negou o estupro da adolescente e denunciou os processos judiciais como uma conspiração política. Mas esta não é a única acusação que pesa contra ele: em outros processos, que ainda aguardam veredicto, o guru é acusado por outro estupro e pelo envolvimento no assassinato de dois estudantes.

Apesar do abalo em sua imagem com os problemas na justiça, mantém uma grande base de discípulos no oeste da Índia. Sua organização é avaliada em centenas de milhões de dólares.

Assim como Asaram, outros poderosos gurus da Índia estão envolvidos em escândalos que misturam espiritualidade, dinheiro e poder. Para os críticos, estes líderes espirituais modernos não passam de charlatães que utilizam a religião para obter fama, poder e riqueza.

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