ETA

Guerrilha pede perdão às vítimas

00:00 · 21.04.2018

Bilbau. Em uma declaração inédita, o grupo separatista ETA pediu perdão às vítimas pelos "graves danos" provocados por sua luta armada pela independência do País Basco, um último gesto antes do aguardado anúncio de dissolução, quase 60 anos após sua criação.

No texto publicado na sexta-feira pelo jornal basco "Gara", o ETA reconhece "o dano provocado no decorrer de sua trajetória armada" e afirma o "compromisso com a superação definitiva das consequências do conflito e com a não repetição".

Consciente de ter provocado "muita dor", a organização deseja "mostrar respeito aos mortos, aos feridos e às vítimas" das ações do grupo, segundo o comunicado traduzido do euskera ao espanhol pelo jornal.

"Pedimos desculpas de verdade", afirma a organização, que executou atentados com bomba e assassinatos que deixaram 829 mortos, tanto no País Basco como no resto da Espanha e alguns também na França.

A organização, que também realizou em nome da luta armada sequestros e extorsões, se limitou a lamentar a totalidade das vítimas e pediu perdão especificamente para aquelas "que não tinha uma participação direta no conflito, nem responsabilidade alguma". "A estas pessoas e seus parentes pedimos perdão", afirma o texto com data de 8 de abril, exatamente um ano depois da entrega das armas, quando o grupo apresentou uma lista de depósitos à justiça francesa.

Criado em 1959 durante a ditadura de Francisco Franco, o Euskadi Ta Askatasuna (País Basco e Liberdade) renunciou à luta armada em 2011 e em poucos dias deve anunciar sua dissolução. Associações de vítimas do terrorismo, que exigiam há vários anos um pedido de desculpas do ETA, criticaram o comunicado, que consideraram insuficiente. "Me parece vergonhoso e imoral que façam esta distinção entre os que mereciam o tiro na nuca, a bomba no carro e os que foram vítimas por acaso, porque não mereciam", afirmou ao canal público TVE a presidente da Associação das Vítimas do Terrorismo, María del Mar Blanco.

Atualmente, o ETA possui quase 300 membros detidos na Espanha, França e Portugal, entre 85 e 100 foragidos.

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