Sete anos de conflito

Guerra na Síria: mais de 42 mil civis deixam Ghuta e Afrin

Famílias e órfãos fogem de áreas bombardeadas e encontram comboio de ajuda humanitária em meio a ruínas

Sob ataque das forças pró-regime desde fevereiro, região perto de Damasco vive êxodo de milhares de pessoas feridas, durante as poucas horas de trégua ( Foto: AFP )
00:00 · 16.03.2018 / atualizado às 09:22

Damasco/Afrin. Milhares de civis fugiram ontem do reduto rebelde de Ghuta Oriental, perto de Damasco, onde o regime sírio conseguiu retomar uma cidade-chave, Hammuriyé, em sua ofensiva mortal lançada há um mês.

No enclave cercado desde 2013, mais de 12 mil civis conseguiram deixar Hammuriyé e outras localidades. Ao mesmo tempo, outro êxodo acontecia no noroeste da Síria, onde 30 mil civis também fugiram desde quarta-feira dos bombardeios turcos na cidade de Afrin, reduto dos combatentes curdos das Unidades de Proteção do Povo (YPG).

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Sete anos desde o início do trágico conflito sírio, o regime de Bashar al-Assad, apoiado por seu aliado russo, parece mais do que nunca determinado a recuperar todo o território - já conseguiu mais da metade.

Iniciada em 15 de março de 2011 com a repressão das manifestações pró-democracia, a guerra na Síria fez mais de 350 mil mortos e tornou-se mais complexa ao longo dos anos, com o envolvimento de potências estrangeiras. Em 18 de fevereiro, o regime lançou uma ofensiva aérea e terrestre contra Ghuta Oriental, última fortaleza insurgente perto da capital. Depois de mais de três semanas de bombardeios, recuperou o controle de mais de 70% do reduto.

Nesse período, cerca de 1.250 civis, incluindo mais de 250 crianças, foram mortos, enquanto mais dos 4.800 ficaram feridos, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH). Milhares de pessoas fugiam a pé, em carros ou motos, através do corredor aberto pelo regime.

Mais tarde, o OSDH indicou que o Exército sírio, que entrou em Hammuriyé na noite de quarta-feira, conseguiu assumir o controle de toda a cidade "após a retirada dos rebeldes" do grupo Faylaq al-Rahman.

Quarta à noite, a cidade de Hammuriyé foi palco de bombardeios violentos.

"Os feridos estão nas estradas, não podemos transferi-los. Os aviões de caça atacam tudo o que se move", disse o médico Isma'il al-Khatib.

Danos materiais

Ontem, um correspondente da agência de notícias AFP constatou a extensão dos danos: edifícios completamente destruídos, escombros bloqueando as ruas.

Enquanto dezenas de pessoas que necessitavam de tratamento médico foram evacuadas na terça e quarta, um novo comboio de ajuda alimentar foi capaz de entrar em Duma ontem através da passagem de Wafidine, informou o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

O presidente do CICV, Peter Maurer, estava no comboio. "Há três questões cruciais a melhorar: o acesso à ajuda humanitária, a proteção dos civis e as condições de tratamento dos detidos", clamou Maurer.

"Por quanto tempo as potências por trás desses combates vão permitir que essa situação se arraste?", questionou.

Em uma Síria em ruínas e fragmentada, a guerra continua em outra frente, no noroeste, onde a Turquia conduz desde 20 de janeiro, com a ajuda de rebeldes sírios, uma ofensiva contra o encrave curdo de Afrin, perto de sua fronteira. Mais de 30 mil civis fugiram nas últimas 24 horas da cidade de Afrin.

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